A bem da Nação

MUTATIS MUTANDIS

 


Florian.png


 


Uma fábula muito simples


De Florian


Sobre a influência


Com que uma lisonja bem urdida


Explora humanas vaidades


Em seu próprio benefício.


Também La Fontaine o dizia


Na sua fábula do Corvo e da Raposa


Manhosa.


Disse a Raposa ao Corvo


Um dia,


Depois de lhe apanhar o queijo,


Quando o mandava cantar


Com a sua voz de encantar:


«Aprenda que todo o lisonjeiro


Vive à custa


De quem o escuta».


A Bela que desmaiou


Quando a abelha poisou


Nos seus lábios vermelhos,


Perdoou no mesmo instante


Em que esta se desculpou


Dizendo que se enganara


Julgando que eram rosas


Os lábios em que poisara!


Àgora!


A Coquete e a Abelha


Cloé, jovem, bonita e sobretudo


Muito coquete,


Todas as manhãs ao levantar-se,


Punha-se a trabalhar,


Quero eu dizer, fazia


A sua toilete.


E aí, sorrindo afectadamente,


Dizia ao seu caro confidente,


O espelho,


As penas, os prazeres,


Os projectos da sua alma


Contente.


Uma abelha estouvada chegou zumbindo.


«Socorro! Socorro!» grita logo a dama.


Acudi, Lisa, Martinha, acudi prontamente!


Expulsai o monstro alado!”


Insolentemente


O monstro nos lábios de Cloé se instala.


Cloé desmaia e Martinha em fúria


Apanha a abelha, disposta a esmagá-la.


«Ai! Diz com doçura o infeliz insecto.


O meu erro perdoai!


A boca de Cloé pareceu-me uma rosa


De tão formosa, e julguei…-


A esta palavra, Cloé recuperou


Os sentidos.


“Perdoemos, diz ela,


A sua confissão sincera.


Aliás, foi ligeira a sua picada.


Desde que ela se pôs a falar


Eu já não sinto nada.”


Quanto não vale o incenso


Para


As partes harmonizar!!


De enganos anda também


A nossa Terra cheia,


Desde o tempo em que trocámos


Por cravos


As armas de uma teia


Urdida por quem diz amém


A tudo o que cheire a indolência


E a brincadeira.


É o que se prevê para o


Bimilésimo décimo quinto ano


Da nossa era,


Sem esperança


De mudança


Na chinfrineira.


Berta Brás.jpg


Berta Brás

0