A bem da Nação

MUITAS E DESVAIRADAS GENTES – 11

 


 


 


Com apenas dois terços do tamanho de Portugal, o Sri Lanka tem cerca de 21 milhões de habitantes e, ao contrário do que todos pensamos, a capital não é Colombo (700 mil hab.) mas sim um seu subúrbio chamado Kotte (130 mil hab.) que é onde se situa o Parlamento e a sede do Governo. Quero eu com isto dizer que em Portugal podemos crescer até aos 23 ou 24 milhões que o país não se afundará com tanta gente. Eles são uma ilha e não têm corrido esse perigo apesar dos tsunamis com que levam de vez em quando.


 


A propósito de tsunamis, o de 26 de Dezembro de 2004 embateu fortemente na costa leste e provocou enorme desgraça em Batticaloa, uma das cidades dos portugueses. Levadas pelas ondas, cerca de 100 famílias portuguesas apareceram mortas nas redondezas.


 


Foi então que a “nossa” AMI – Assistência Médica Internacional entrou em acção montando um hospital de campanha e prestando os socorros que a medicina sabe dispensar. A ajuda de emergência acabou por se prolongar no tempo e hoje essa presença portuguesa é um elemento fundamental para a população local. Para saber mais, ler em http://www.ami.org.pt/default.asp?id=p1p7p28p135p329&l=1


 


Cerca de 70% da população professa o Budismo, 15% o Hinduísmo, 8% o Cristianismo e 7% o Islamismo. Nada consta dos ateus e dos agnósticos.


 


Sri Lanka-plantação de cháTea plantation, Sri L


 (por Bernard Gagnon)


 


O chá, a borracha e o turismo são as principais exportações cingalesas mas a produção de arroz, elemento estrutural na alimentação da população, não é suficiente para o consumo. A Balança Comercial nacional é quase sempre negativa.


 


E como é que o país sobrevive importando quase tudo? Pois é evidente a resposta: à maneira de Portugal. E isso significa? Remessas dos emigrantes.


 


Mas se o leitor quiser saber mais coisas deste género, vá à Internet e há-de encontrar muito mais informação do que a que caberia aqui num texto que se pretende curto.


 


Pensando melhor, sempre junto mais uma: as grandes empresas são estatais e só em 1979 é que o Governo autorizou a implantação de Bancos estrangeiros com o objectivo de atrair o investimento externo. Portanto, todos os banqueiros portugueses que lerem este texto, fiquem sabendo que podem alargar as vossas actividades ao Sri Lanka. Não sabiam? Pois podem!


 


As auto-estradas são poucas e praticamente só na região de Colombo. Não têm Via Verde, o que agrava os engarrafamentos mas abre as portas à Brisa. Em compensação, as estradas normais, curvilíneas, têm um piso absolutamente impecável assim deixando os vizinhos indianos do Tamil Nadu sem a desculpa esfarrapada das monções para justificarem o desleixo em que as suas estradas estão.


 


Mas voltando à estrada no Sri Lanka, a densidade de tráfego e o assédio de gentes, galinhas, vacas e outros seres vivos é tão grande que não se consegue andar a muito mais que 50 kms à hora. E a Polícia multa mesmo quem ultrapasse os 60 kms/hora.


 


Assim, no final da viagem, metidos num engarrafamento enorme, quando nos preparávamos para dar uma volta por Colombo para vermos mais umas coisas e daí seguirmos para o aeroporto, tivemos que «fazer agulha» prescindindo dessa voltinha para não perdermos o avião.


 


E já que «quem canta seu mal espanta», para alívio das preocupações geradas pelo dito engarrafamento, cantarolemos à moda dos portugueses do Sri Lanka:


 


Anala de oru sathi padera juntu


O anel de ouro com sete pedras


Quem quera anal, avie casa minha juntu


Quem quiser o anel, venha casar-se comigo


 


Já foi todo partis, Ceilão per Japan


Já fui a toda a parte, do Ceilão para o Japão


Mais nunca trizé nada, for da firme coração


Mas nunca trouxe nada, excepto o fiel coração


 


 


Mas antes de entrarmos no avião, oremos como por lá se diz:


 


Pai nosse qui está ne céos,


Santificádo seja tua nomi,


Venho nós a tua Reyno,


Seja fêto a tua vontade,


Assi ne terra, como ne céos;


O pan nosse de cada dia nos dá ojo,


E perdová nós nosse dívidas


Assi como nós perdovamos nosse dividóris,


E nan nos desse caí em tentaçan,


Mas livra nós de mal.


Ámen.


 


E foi assim que, sob a égide do Altíssimo, seguimos para Goa, a dourada.


 


Lisboa, 9 de Dezembro de 2015


 


Henrique na piscina das mulheres em Anuradhapura,


Henrique Salles da Fonseca


(à borda da piscina das mulheres em Anuradhapura)

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