Se o Budismo pode ser considerado uma filosofia com um complemento espiritual, as religiões do Livro – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, por esta ordem cronológica – assentam na espiritualidade da revelação ao homem de um Ser supremo, sobrenatural, a que uns chamam Javé, outros Deus e outros Alá [1].
Portanto, nas religiões reveladas, a espiritualidade, o divino, o sagrado, são essenciais e nada mais natural do que uma relação estreita com essa essência através de um intermediário historicamente real. No caso cristão em que quase sempre se acede a Deus por Jesus, o Cristo; no caso do Islão, por Maomé, o Profeta; por enquanto sem intermediário reconhecido, os judeus ainda esperam pelo seu Messias.
Sem referir o que se passa alhures, limito-me ao catolicismo romano que possui uma espiritualidade, essência divina, centrada em Deus, em Cristo, no Espírito Santo, nos Santos, Anjos e Arcanjos. Basta referir o Arcanjo S. Miguel [2] , o Protector de Portugal, bem como todos os Santos do riquíssimo hagiológio português para reconhecermos à evidência como a nossa cultura lida com o espiritual, ou seja, com uma dimensão imaterial a que vulgarmente chamamos «o além» e temos por sagrada.
Muito céptico relativamente ao espiritismo, sempre me mantive a grande distância de médiuns e de todos aqueles que considero charlatães.
Mas um dia houve em que ouvi chamar por mim, com o meu nome bem pronunciado – Henrique!? – chamamento que veio do vazio. E a minha mulher também ouviu.
E este foi outro momento especial. Diria mesmo que muito especial.
Mantendo sempre uma segura distância relativamente a todos aqueles que considero charlatães, vou, no entanto, ter que rever o meu cepticismo relativamente a uma dimensão que é diferente da materialmente terrena e profana; do que darei nota se houver desenvolvimentos.
Agosto de 2015
Henrique Salles da Fonseca
[1] - Alá não é o Deus muçulmano; Alá é como se diz Deus em árabe
[2] - Cristianização de Zéfiro, deus romano, que, por sua vez, foi a romanização de Endovélico, deus dos lusitanos
