TIMOR LORO SAE
“Loro Sae” (e não "Lorosae", pois são duas palavras distintas) significa em tétum “Sol Nascente”. Foi a denominação que as várias correntes inter-timorenses acordaram para o nome oficial do seu país logo que se livrasse da ocupação indonésia mas acabaram por voltar à denominação herdada de Portugal, “Timor Leste”. Actualmente, à outra metade da ilha, a ocidental, os indonésios chamam Kupang.
Em Timor Leste existem muitas línguas vernáculas cuja simbiose deu origem ao tétum. O tétum (com muita influência portuguesa) e o português dão unidade linguística à realidade política do país e o outro elemento de grande afirmação da coesão nacional é a religião católica.
Mas nem sempre foi assim…
Com base numa mistura algo explosiva de conceitos islâmicos, nacionalistas e marxistas, Sukarno participou do movimento de independência do país contra a Holanda (aliando-se mesmo ao invasor japonês durante a II Guerra Mundial), foi o primeiro Presidente indonésio e seguiu uma política externa que se dizia não alinhada. Ou seja, procurou uma fórmula que lhe permitiria estar de bem com Deus e com o Diabo comendo do bom e do melhor de ambos os lados.
Mas - vanitas, vanitas pura – procurou obter algum protagonismo internacional organizando em 1955 a famosa «Conferência de Bandung» que reuniu mais de 30 países que se diziam neutros na clivagem internacional que se agravava entre o bloco soviético e o Ocidente democrático. Entretanto, a ambição de protagonismo internacional não o coibiu de se tentar equilibrar na corda bamba e aceitou o convite de Salazar para vir a Lisboa (MAI60) ostentando a qualidade de grande pacifista internacional. Por pouco, não se encontrou cá com o Imperador Hailé Selassié da Etiópia (JUL59) nem com o rei Bhumibol da Tailândia (AGO60).
Enquanto andou nestas flostrias, tudo correu bem mas não há almoços grátis e a URSS não tardou a apresentar a factura do apoio que lhe vinha dando. E foi então que Sukarno se viu na obrigação de favorecer o Partido Comunista da Indonésia, de extinguir os demais Partidos políticos e de se afirmar como Presidente vitalício.

Dois «democratas» da mais alta estirpe
Mas, como já disse numa crónica anterior, os indonésios têm um espírito muito empreendedor, nada têm globalmente a ver com o proletariado e têm há gerações e gerações um regime muito democratizado de acesso à propriedade privada. E então, a tentativa comunizante de Sukarno foi a cereja que faltava pôr no cimo do bolo e o seu camarada de armas Suharto não esteve com meias medidas e baldou-o da Presidência. E assim foi que Sukarno, em vez de assumir a Presidência vitalícia, ganhou a residência fixa vitalícia.
Então, quando o «nosso» MFA empreendeu que se haveria de implantar um regime comunista em Timor Leste, estava-se mesmo a ver que Suharto haveria de ficar quietinho. Não estava?
Bem, o resto da História já os meus Leitores conhecem…
Coitado do povo timorense que sofreu o que muito bem poderia não ter sofrido.
E os malandros que tudo provocaram ainda devem andar por aí à solta a dar gritos à Liberdade de fazerem estupidezes.
Ao que agora sou eu que lhes respondo: MERDEKA!!!
(continua)

Henrique Salles da Fonseca
(em Bali, frente a uma banca comercial de um dos muitos empresários indonésios)
BIBLIOGRAFIA:
- Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
- Wikipédia
- Crepúsculo do Colonialismo – Bernardo Futcher Pereira