A bem da Nação

MERCADOS

 


 


Portugal anda dominado pelos mercados. Os caprichos dessas entidades estranhas comandam a nossa política e até a nossa vida. Daí vêm todos os nossos problemas. Mas o que são esses misteriosos mercados?


 


De facto não há nada de sinistro na entidade. Trata-se de pessoas como nós. Muitas pessoas como nós. Têm família, emprego e férias, sonhos e problemas, alegrias e tristezas. A sua primeira característica é serem uma multidão, tão vasta e diversificada quanto se possa imaginar. São tantos que têm apenas quatro coisas em comum.


 


Primeiro fizeram poupanças e têm dinheiritos de lado. Nisso, mais ou menos, estão como nós. Segundo, emprestaram ao Governo português. Esta sua imprudência pode, à primeira vista, torná-los estranhos. Como puderam ser tão tolos? Mas se virmos bem não é tanto assim. Muitos de nós têm certificados de aforro, títulos do Estado, etc. Se temos então, surpresa!, nós somos eles. Mas mesmo que não tenhamos, é compreensível que pessoas normais, em tempos mais calmos, tenham escolhido essa aplicação de poupança, hoje tão pouco recomendável.


 


As outras duas características são ainda mais pacíficas. Primeiro, eles querem o seu dinheiro de volta ou, melhor, querem continuar a receber juros das suas economias. Finalmente, não acreditam que o Governo português seja capaz de tal, depois de tantas promessas, hesitações e trapalhadas. Qual de nós os pode censurar?


 


Como se vê, nesta história, o mal não está nos mercados, mas do outro lado.


 


É das promessas, hesitações e trapalhadas que vêm os nossos problemas.


 


 dr joao cesar das neves ... João César das Neves


 


In DESTAK 01 | 12 | 2010

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