A bem da Nação

MÁRIO DRAGHI EM BELÉM

  


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Antes de Mário Draghi ter vindo a Lisboa participar no primeiro Conselho de Estado da era Marcelo, pouco se ouviu sobre a ideia. Mas, logo depois do Presidente do Banco Central Europeu ter apanhado o avião de regresso, as críticas surgiram em catadupa.


 


Do PS, através do deputado Ascenso Simões, mas principalmente do Bloco e do seu eterno guru intelectual, Francisco Louçã.


 


Entre o antes e o depois, porém, há uma pergunta que convém fazer: alguém estava à espera que Draghi dissesse uma coisa diferente do que disse em relação ao Governo actual e ao anterior?


 


Ora imagine-se que o convidado seria Iannis Varoufakis: alguém imaginaria um discurso diferente do que tem feito contra a “austeridade” por essa Europa a fora?


 


Registada a evidência, o que importa é determinar a razão que levou o novo Presidente a convidar Draghi para falar aos conselheiros. E aí só há uma resposta óbvia: Marcelo quer manter na agenda política a pressão das autoridades europeias sobre a política financeira do Governo.


 


Na sua versão de “Marcelo paz e amor”, o Presidente não está disposto a rasgar o ecumenismo nem a tirar o capacete azul da ONU com que iniciou o seu mandato.


 


Mas alguém por ele há-de vir a cena dizer o que o ardente desejo de mudança dos portugueses e a monumental capacidade do Governo em construir narrativas não deixam dizer: que Portugal permanece numa situação frágil, que numa mudança de Governo não é boa ideia deitar fora o bebé com a água do banho e que o país tem de estar preparado para aceitar eventuais medidas difíceis.


 


Era isso que o Presidente queria que se dissesse e ouvisse. E Draghi fez-lhe o jeito com naturalidade e satisfação.


 


10/04/2016


 


Manuel Carvalho


 

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