A bem da Nação

MAIO



Dos Maios na lembrança
eu lembro os melros
e os rouxinóis
mais adiante
dos Maios
eu relembro
triunfante
as tardes de oiro
trabalhado
pelas mãos do ourives
cuidadoso…
Do Maio lembro
o sol manhoso
como lhe chamava
minha Avó
e ainda o pó,
aquele pó
quase sempre fino
amarelo
a pousar nos chapéus
das raparigas…
De Maio
relembro as cantigas
que o campo sabia
e cantava
e sempre que o Maio
começava
as sachas e as lavras
a chegar
era vê-lo a tingir
o descarado,
as fitas vestidas
de encarnado
para que se não
tisnasse rosto…
Mas tudo,
tudo se foi
qual fogo posto
no finado tempo
do granjeio…
Hoje
do que vejo
me receio
e de rojo me prostro
ó Natureza;
tu
toda te dás
em singeleza
enquanto o homem
sem respeito
te destrói!...

 Maria Mamede
(In “III Ant. das Noites de Poesia de Vermoim” – 2010-2013)

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