A bem da Nação

LUSOFONIA AÇORIANA – 2


 Teatro Ribeiragrandense




2º Encontro Açoriano da Lusofonia


 


 


Na sessão de abertura tivemos o lançamento do livro, "A Fábula em Portugal" da autoria de Luciano Pereira que foi uma mais-valia de última hora só possível devido à "Livraria Solmar Artes e Letras" de Ponta Delgada que conseguiu trazer os livros de Lisboa a tempo. A seguir tivemos a oportunidade de escutar o lançamento musical (com o apoio da RDP Antena 2 e filmado pela RTP Açores), duma obra dum compositor micaelense, Horácio Medeiros e o seu "Hino ao Cosmos" que foi assim descrito como


 


"Uma nova e intensa experiência, cujos limites são os da imaginação, da criatividade e do espírito da música que nos leva numa viagem. É uma viagem interior, dos sentidos, da imaginação e da criatividade guiada por um músico – Horácio Medeiros – que nos convida, não saindo do lugar, à descoberta da música sem palavras dentro de cada um. Na abertura do Hino ao Cosmos somos enleados pela sequência de acordes que, pela sua natureza harmónica, nos seguram interiormente a uma melodia que jamais nos abandonará durante a peça. Eis que surge então a descolagem: a partida, acompanhada pela nossa memória musical, daqueles primeiros acordes de lançamento. Percorremos universos musicais distintos e variados por cada nota que é percutida. Reconhecemos géneros, estilos e cadências musicais, numa viagem que começa na ponta dos dedos do autor. A partir daí somos levados a intuir que o Universo da música não se confina ao nosso próprio planeta musical e, de tom em tom, de nota em harpejo, de acorde em frase, cada momento é único e irrepetível. Percebemos o brilho dos clássicos, a intimidade da música de câmara, a vivacidade da música contemporânea, a energia da música moderna e, mesmo assim, não conseguimos consignar a obra a um espaço e tempo. Enquanto as notas e os sons nos envolvem, mergulhamos numa variedade tremenda de melopeias que nos transportam para longe do nosso pequeno microcosmos musical e, eis que nesse instante, o músico retoma os acordes de partida, para nos dizer de onde vimos enquanto continuamos sem saber para onde vamos. É o maestro que, investindo toda a sua intimidade na execução da obra, não se esquece do ouvinte. Esta é música que só existe quando executada e, por isso, este concerto é o seu aspecto exposto, o desvelamento da obra a partir do artista que exprime uma linguagem universal. Enquanto não executada a peça é apenas potencial. É na execução que ela se torna um existente e, vivendo, torna-se relacional: o Hino ao Cosmos é uma obra que transcendemos, permanecendo alheios e alternos ao mundo real, no nosso próprio heterocosmos."


 


As pessoas aplaudiram de pé e interrogavam-se quem era este músico que - com elas vivendo paredes-meias - acabava por ser "descoberto" para o mundo pelos Encontros da Lusofonia. Seguiu-se depois um momento solene de homenagem da Academia de S. José das Letras, do Estado de Santa Catarina no Brasil a algumas personalidades locais. Deixamos o salão nobre do Teatro Ribeiragrandense e fomos mergulhar na apresentação dos trabalhos, num anfiteatro menos imponente mas mais acolhedor. Na sessão de abertura deste ano tivemos a presença da Dra. Alzira Serpa Silva, Directora Regional das Comunidades, do Magnifico Reitor da Universidade dos Açores, a presença da Assessora do Presidente do Governo Regional, os Presidentes das Câmaras de Vila Franca do Campo e da Ribeira Grande, entre várias outras individualidades da vida literária.


 


A primeira oradora foi Helena Anacleto-Matias, ISCAP Instituto Superior de Contabilidade e Administração, Instituto Politécnico do Porto que expôs "Os desafios do Português Europeu e Mundial na Tradução e Interpretação", seguida da apresentação de Ana Aguilar Franco Universidade de Lisboa falando sobre José Rodrigues Miguéis "Letras Americanas em Língua Portuguesa".


 


Após o almoço os oradores e cerca de vinte e cinco participantes presenciais deleitaram-se com um passeio de quase cinco horas, em que puderam observar e visitar as belezas naturais da ilha de S. Miguel: Caldeira Velha, Lagoa do Fogo, Fábricas de Chá de Porto Formoso e da Gorreana, a aldeia da Lomba da Maia onde o "cérebro" destes encontros pulsa e ainda Porto Formoso, antes de regressarem à Ribeira Grande. Nessa noite havia teatro, a peça "Eus e Nós" representada por uma companhia (GIRA-SEEDE) vinda do Estado de Santa Catarina no Brasil, numa delegação oficial daquele Estado com 24 pessoas. Apesar de os adereços e cenário terem ficado perdidos entre o Brasil e os Açores, com um excelente espírito de equipa, de improvisação e de camaradagem, foi possível ver uma representação interessante, desafiando o público a agir.


 


(continua)


 


Ribeira Grande, Maio de 2007


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Chrys Chrystello

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