A bem da Nação

Luis XIV e a crise actual

 (*)


 


Consta das crónicas do reinado deste rei de França que, para aquietar muitos nobres irrequietos e portanto incómodos para a governação, teve a ideia de ir exigindo, de forma crescente a todos que pretendiam participar da corte, padrões de vestimenta e de arranjo dos seus palácios muito dispendiosos.


 


E para “facilitar” este aumento de qualidade de vida fornecia-lhes abundantes créditos.


 


Desta forma explorando a vaidade e a ganância destes cortesãos rapidamente os controlou pois a alternativa à obediência seria a bancarrota.


 


Ora nestes últimos trinta anos, mais ano menos ano, a finança internacional (a que se dá o nome de mercados), que ao contrário de Luís XIV ninguém sabe muito bem quem é, aproveitou a vaidade e a ganância de vários governantes e de muitos cidadãos que a troco de fartos e fáceis créditos endividaram os seus países, eles próprios (os governantes) nem por isso, ficando aqueles assim sem independência e à beira da bancarrota.


 


A História conta também que, dois luíses mais tarde, houve em França uma revolução bastante violenta que alterou drasticamente esta situação e este sistema de poder.


 


E nós, agora, como iremos resolver esta situação de crise?


 


1º - Cada um por si eliminar o domínio daqueles que têm a ganância e a vaidade como norma de vida e passar a viver com eficiência e austeridade, não gastando o que se não tem e só aceitando crédito para investimento produtivo e sustentado, é claro depois de saldar as dívidas.


 


2º - A exemplo da destruição da Bastilha, símbolo da revolução francesa, destruir os mercados, não pela via do camartelo, mas da adopção de sistemas financeiros correctamente regulados e independentes dos especuladores, natural e realisticamente como europeus, pois só como portugueses pouco ou nada poderemos conseguir.


 


Capital? Sim como meio essencial para produzir e contribuir para a riqueza global e não para apenas muito poucos especuladores enriquecerem.


 


É chegada a hora dos políticos se redimirem dos erros e desvios ocorridos e realizarem as mudanças estruturais que é de facto urgente pôr em prática para evitar males maiores.


 


Lisboa, 12 de Maio de 2012
         


 José Carlos Gonçalves Viana     


 


Publicado no DN em 30-06-12


nossomar.blogs.sapo.pt


 


 (*) http://www.google.pt/imgres?q=lu%C3%ADs+xiv+o+rei+sol&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=T1aMA2kcLsOFiM:&imgrefurl=http://www.stormfront.org/forum/t826273-11/&docid=mi583exh3sfVVM&imgurl=http://www.oceansbridge.com/paintings/artists/recently-added/jean-leon-gerome/big/Jean-Leon_Gerome_XX__The_Reception_for_Prince_Conde_at_Versailles_1878.jpg&w=500&h=335&ei=CHvIT42bO4WJhQfYjJ30Dw&zoom=1&iact=hc&vpx=599&vpy=424&dur=2764&hovh=184&hovw=274&tx=134&ty=121&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=113&tbnw=163&start=0&ndsp=26&ved=1t:429,r:18,s:0,i:107


 


 

0