A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 34

 


 

Título: O RAPAZ PERDIDO

 

Autor: Thomas Wolfe

Tradutor: Maria Correia

Editor: Quasi Edições

Edição: 1ª, Setembro de 2008

 

 

 

«Esses Crocker, velhos mesquinhos!», pensou, desdenhoso. «Não volto lá mais. São tão avarentos que param os relógios durante a noite. Porém, …»

 

Thomas Wolfe fazia parte daqueles escritores de quem eu já tinha ouvido falar lá muito ao longe e cuja leitura não estava em qualquer grau das minhas prioridades. Até que o 'Diário de Notícias' se meteu a publicar um livrinho como anexo a uma das suas edições e eis-me na posse de 'O rapaz perdido', uma das muitas novelas que nos deixou.

 

Americano da Carolina do Norte, nasceu em 1900 e morreu novo, aos 38 anos de idade. Pela contracapa fiquei a saber que escreveu quatro romances e, mesmo assim, dois deles só foram publicados postumamente. Ficou em lugar de destaque na galeria da boa literatura e esta novela tem um estilo verdadeiramente notável, bem longe de alguma 'coisa' que eu alguma vez tivesse lido.

 

O autor descreve-se como o mais novo de muitos irmãos e irmãs mas um houve que morreu aos 12 anos de idade e que deixou a trás de si um mar de saudades uniformemente distribuídas por toda a família. Apesar dessa muito sentida desgraça, uma família bem-humorada. Materialmente remediados, todos singraram na vida. Tudo tão normal, harmónico e positivo que ninguém teria notado neles se não houvesse quem os descrevesse de modo tão lírico e impressionista.

 

Começamos por ver a cidade através dos olhos de Grover, essa criança que morreu aos 12 anos e… mais não conto. O centro do tempo; as recordações que passam como as sombras das nuvens sobre as colinas…

 

Novela comovente mas não piegas, bem-humorada mas não hilariante.

 

Parabéns à tradutora que deve ter tido um trabalhão para nos transmitir estilo literário tão invulgar.

 

Thomas Wolfe conquistou mais um leitor.

 

Lisboa, Setembro de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

 

 

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