A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 30

 


 

 

Título: As fogueiras da Inquisição

Autores: Ana Cristina Silva

Editor: EDITORIAL PRESENÇA

Edição: 1ª, Maio de 2008

 

Ao bom estilo das leituras estivais, também este livro nos deixa na dúvida sobre onde acaba a realidade e começa a fantasia. De tão plausível, dá para nos vermos envolvidos nas cenas que vai descrevendo e sendo historicamente tão verídico, ficamos com uma visão bem realista do que foi a vida – e a morte – de tantos que julgavam poder confiar nos nossos brandos costumes.

 

Lido de um trago, conduz-nos pela vida de três gerações de cristãos novos, pelos meandros do culto antigo, pela perseguição dominicana a quem seguia um lobby diferente do teo-business oficial.

 

Passeando-nos entre Lisboa, Alenquer e Évora, faz-nos passar perto dessa figura ímpar que foi Damião de Góis levando-nos à recordação que diz que – dadas as semelhanças físicas – era filho bastardo de D. Manuel I em cuja Corte viveu até completar 10 anos de idade a pretexto de ter ficado «órfão de pai».

 


 

Mas se D. Manuel I teve a sabedoria suficiente para aproveitar os judeus no que eles podiam dar a Portugal levando-os ao baptismo colectivo de pé, já D. João III se mostrou muito temeroso do Deus castigador e vingativo. Quanto ao Cardeal Rei, diz-nos o livro e a História que não teve a sabedoria do pai, D Manuel I, que não conseguiu ultrapassar os temores do irmão, D. João III, nem resolver os problemas criados pelo sobrinho, D. Sebastião.

 

Cardeal D. Henrique

Eis uma perspectiva bem realista da vida quando Portugal se encaminhava dos píncaros para o abismo.

 

Lisboa, Julho de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

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