É daquelas coisas. Passei pelos escaparates e olhei para a capa do livro. O autor não me dizia nada e o título também não. Comprei e li. Não estou arrependido, nem deixo de estar. O que me chamou a atenção foi a capa, com a árvore solitária na paisagem e sobreposta na transparência de um rosto de olhos fechados e o olho esquerdo fechado parece uma nuvem negra ameaçadora sobre a árvore e lembrei-me do meu poema "Outonia" que era sobre uma árvore. O livro com o título "Mais Rápido que a Terapia" é da Editora Pergaminho (Colecção Desenvolvimento Pessoal), cujo autor, Richard Carlson (1961-2006), era psicoterapeuta, especializado em gestão de stress e doutorado em Psicologia pela Universidade de La Sierra, Riverside, Califórnia (*).
OUTONIA |
O Outono chegou. Chegou em mudança. Inconstante, como sempre. Ora com roupas de Inverno, Ora de Verão. A Árvore estava lá. Deixava cair folhas amarrotadas, Amarelas e castanhas. Preparava-se para mudar. Todos mudamos. E renascer...? Renasceremos??? A Árvore De que vos falei, Estava lá, desnudando-se. Lembram-se?...As folhas caindo... |
O Olhar? Esse seguia a trajectória rude Das folhas secas, Amarelas, castanhas, Amarrotadas. Um outro Tempo, A mesma Árvore. Um outro Tempo, O mesmo Olhar. Um outro Tempo E, Certamente, Lágrimas diferentes. Uma Primavera, No Outono. Luís Santiago |
Pessoalmente, não comungo da tese do Livro que se baseia numa série de teorias sobre o confronto da nossa consciência espiritual sobre nós próprios, passado, presente e futuro. Não acredito na eficácia das virtudes da autoanálise e autoajuda. Seria fácil demais. Creio que uma ou outra mente superior possa fazê-lo, mas, o ser humano comum necessita de auxílio, é um animal carente de solidariedade. Defendo, pois, que para os nossos males da mente, precisamos de fazer psicanálise e de um profissional competente que nos ajude. De qualquer das formas o livro é uma das tentativas de aprofundar o conhecimento da psique humana que como tal não rejeito. Alguém algures alguma vez no tempo me confessou que vivia atormentado pelos segredos da sua consciência e eu lembro-me de lhe ter respondido que os segredos da nossa consciência são como os escolhos que flutuam no mar, existem e quando menos se espera dão à costa...
(*) Informação recolhida na Wikipédia livre