O livro é recente, a primeira edição é de Novembro deste ano, trata-se de "Polícia à portuguesa – um retrato dramático", da colecção LIVROS D'HOJE da editora Publicações Dom Quixote. Os autores são Mário Contumélias e Fernando Contumélias (pai e filho). Li e reli o livro e concluo que contém insinuações muito graves, assim como trata de matérias banais por estas não fugirem à regra geral do que se passa no dia-a-dia das organizações, sob o ponto de vista humano. Refiro-me a compadrios, apadrinhamentos, lutas pelo poder, influências políticas, (qual a organização que as não tem), injustiças, egoísmos pessoais e toda a panóplia de sujidades inerentes às malformações do carácter humano. Crise de valores que abundam por toda a parte e não só na Corporação. Até aqui nada de novo...
Depois vêm as questões da formação profissional (inexistente, como se conclui), do material e do equipamento (uma desgraça), mas que não é culpa da Corporação, porque dotar a polícia com armas, carros, fardas, coletes à prova de bala e o mais que é necessário para sua protecção e dos cidadãos, é da responsabilidade dos Governos. Os gratificados que os agentes são forçados a fazer para sobreviverem, assim como terem de comprar, do seu bolso, fardas e outros acessórios necessários ao cumprimento do seu dever, os baixos vencimentos, sendo uma profissão de alto risco, é, no mínimo, degradante, deprimente e escandaloso. Não lembra ao Diabo! A gravidade a que me refiro é as insinuações à existência de situações de corrupção (na Polícia?!!!) e ligação ao crime; mas, se estas situações existem, só uma investigação competente as pode detectar e denunciar... O retrato é, de facto, dramático! Diria mesmo, surrealista. Em próximo postal ilustrado, dirigido aos autores, abordarei a temática da Segurança, para complementar o que penso de alguns dos temas abordados no livro e que deixou transparecer algumas ideias com que não concordo, nomeadamente, quanto a processos de averiguações, disciplinares, perseguições a tiro e outros procedimentos menos recomendáveis sob o ponto de vista da segurança dos cidadãos e da preservação da imagem dos polícias.
Luís Santiago