A bem da Nação

LAZER

 




Uma coisa que sempre achei incompreensível é que o número de páginas dos jornais e minutos dos telejornais sejam iguais todos os dias. Dado que cada dia é diferente e as novidades verdadeiramente relevantes se acumulam em certas épocas e escasseiam noutras, seria de esperar uma variação contínua da dimensão dos noticiários.


 


Se os jornalistas fossem criteriosos e tivessem respeito pelo tempo dos seus leitores e ouvintes, deveriam considerar abaixo da sua dignidade profissional veicular informações menores, especulativas ou inúteis, só para encher. Nem sequer seria de excluir que em certas datas faltassem coisas de interesse a reportar, limitando-se o locutor a dizer: «hoje tudo normal».


 


Claro que isto é impossível. Tirando poucas revistas (sobretudo internacionais, como The Economist), a generalidade da comunicação social presenteia-nos todos os dias com, pelo menos, a dose canónica de notícias. A conclusão inelutável é que o que varia é o interesse.


 


Pior, todos sabem que boa parte do relatado foi criado pelos próprios jornalistas, comentadores, técnicos de comunicação e lobbies.


 


Hoje a indústria de comunicação social tem cada vez menos de informação e mais de lazer e divertimento.


 


06 | 02 | 2013


 


 João César das Neves

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