Foi muito interessante, e ao mesmo tempo triste, assistir a toda a campanha eleitoral em França, ver o novo Presidente assumir e dois dias depois apresentar o novo governo. Jovem. Experiente.
Foi interessante ver como a democracia funciona quando levada a sério, quando se vê que todos os candidatos, do menos cotado aos mais prováveis eleitos, dispõem rigorosamente do mesmo tempo de antena em todos os rádios e TVs locais. A tristeza ficou por aqui, onde os caciques políticos abocanham 98% do tempo, deixando os outros 2% a dividir pelos restantes "n" candidatos. Tudo dentro da legalidade! Pudera não: ELES são a lei!
Finalmente elegeram o candidato que desde o início vinha na liderança da opinião pública. Em menos de um mês o novo Presidente já fez mais, só tendo assumido o comando do país há três dias, do que o nosso grande líder em quase cinco anos. Dois dias depois de assumir a Presidência o novo Governo era apresentado aos franceses e ao mundo.
Não foi necessário, como aqui, negociatas nem cambalachos com outros partidos para dividir o bolo, mas juntar uma equipa capaz de exactamente não o dividir, mas mantê-lo o mais coeso e intacto possível.
No Brasil passados quase oito meses desde a eleição que definiu o "repetente", o que continua a tomar conta dos propósitos dos (des)governantes é saber - negociar - a quem entregar os ricos lugares de presidentes, directores, assessores e outros penduras de uma quase infinda série de empresas e organismos estatais. A qual apaniguado, a qual adversário para lhe calar a boca, enchendo-a de possibilidade de se afogar em ladroagem. Qualquer "cara" (des-carado) muda de partido se necessário várias vezes por ano para ver onde se consegue melhor encaixar para "desencaixar" no caixa público!
Em França, Sarkozy entregou alguns ministérios a competentes membros do partido socialista, sem pactuar com este, nem negociar o "pataca-a-mim, pataca-a-ti".
A única nota suja neste espectáculo francês foi a atitude dos socialistas, ao expulsarem um dos seus mais activos e capazes dirigentes, só por que este aceitou fazer parte do governo da França! Os socialistas deram uma bela (triste) demonstração de que a sua intenção ao concorrerem à Presidência não era governar para a França, mas para eles!
Vive la France e que seu Presidente mostre ao mundo como se governa.
Talvez daqui a cem anos esse exemplo possa aqui chegar!
Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2007
Francisco Gomes de Amorim
