A bem da Nação

«ISTO É QUE ESTÁ UMA CRISE!!!...» – 2

 


 


 


Uns mais por isto, outros mais por aquilo, muitos são os Estados europeus com enormes dívidas públicas.


 


Contudo, com o mal dos outros podemos nós bem e, portanto, colhe abordar a questão portuguesa. Em traços largos, claro!


 


O «wellfare abrilino» assentou no dirigismo estatal sugerido pelo modelo então inspirador dos detentores do poder, o soviético.


 


Seguiu-se o Consulado Soarista de «engavetamento do socialismo» e do benigno paternalismo do Estado em cujo regaço se recebiam os que emigravam das empresas entretanto destroçadas.


 


De Governo em Governo, foi-se fazendo algum desmantelamento do «Estado soviético» e avançou-se com ousadia no acréscimo de benesses até que se chegou ao sofisma do «oásis português no meio do deserto europeu» a ao «deserto na margem sul» indigno de receber novos aeroportos mas capaz de ver TGV’s a correr pelas campinas que já foram doiradas e hoje têm excesso de terras em poisio perene. E de mentira em mentira a cumplicidade foi sendo tecida na adjudicação de obras públicas de interesse geral muito discutível mas de inegável interesse para quem recebia tais adjudicações e, diz-se, para quem as adjudicava. Diz-se... Diz-se tanta coisa que alguma há-de ser verdade. Será?


 


Toda esta cumplicidade, a existir, assentava numa tentativa de fazer perdurar sectores económicos que naturalmente já tinham entrado em recessão (construção e obras públicas) mas que empregavam muita mão-de-obra, da qual uma parte importante de origem estrangeira.


 


Destruída a malha produtiva «fascista» e esmagada a restante pelas “grandes superfícies” com a importação de mercadorias «dumpingadas», o «modelo de desenvolvimento» criado pelos hedonistas e que nos conduziu ao colapso assentava na total ausência de ética, na tal cumplicidade de obras de utilidade pública mais do que duvidosa, na criação das famigeradas PPP’s que se anunciava destinadas a aligeirar a despesa pública mas que acabaram de tal modo armadilhadas que passaram a produzir o efeito contrário. Apregoava-se até que Portugal era um país de Serviços e alargaram-se as políticas de incentivo ao consumo. E por que é que os «Bill Clintons» lusitanos haviam de ser menos que o verdadeiro, o americano? Crédito para todos e morra a análise de risco! O leite e o mel escorriam... até níveis alarmantes de endividamento público e privado.


 



Foi este o modelo da enorme mentira para que fomos atirados com falsas ilusões da abastança dos fundos comunitários; este foi o modelo da verdadeira crise e é dele que temos que sair.


 


É que consumir sem produzir só é possível se se tiver crédito e este é como a Democracia Platónica, é só para quem tenha rendimentos para o servir. Dito de modo mais abrupto, o crédito é só para quem o merece.


 


A crise conduziu-nos ao esgotamento do crédito que os mercados nos concederam.


 


Está na hora de recuperarmos a capacidade de crédito mas para isso temos que mudar de vida voltando a produzir o que pretendemos consumir, «fazendo-nos à vida» e deixando de exigir que sejam «eles» a garantirem-nos tudo o que os demagogos foram propalando como sendo nossos direitos.


 


A crise acabou no momento em que colectivamente «batemos com a barriga no fundo», em que individualmente nos convencemos a deixar de viver na mentira e que tínhamos mesmo que «dar a volta».


 


Contudo, o estertor dos mentirosos e dos saudosos do tempo dos sovietes é penoso. Ainda não perceberam que o leite coalhou e que o mel secou. Sim, vamos ter que aturar mais alguma choradeira.


 


O problema está em que os mentirosos, de tão atarefados na mentira, ainda não o perceberam. Mas será que não perceberam mesmo? É sabido que são mentirosos mas é evidente que também são inteligentes. É claro que perceberam que a mama secou mas como o «negócio» deles é a mentira...


 


Lisboa, 10 de Junho de 2013


 


 Henrique Salles da Fonseca

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