A bem da Nação

ISTO É O OUTONO

 


 



 


 


O Outono ocupa a curva poente da minha elipse anual, quando as árvores se começam a inclinar para Espanha.


 


Meia-coisa, o Outono é depois do Verão e antes do Inverno (estas duas, sim, bem afirmativas) e é assim como que nem carne nem peixe, é bacalhau. Para os pássaros do meu jardim, ele começa pelos princípios de Outubro, mais coisa, menos coisa. E eu vou por eles, os pássaros.


 


Pleonasticamente, Outubro costuma ser um mês de luminosidade radiosa, apenas com brisas mas sem ventos maçadores nem chuvas reumatismais; nem quente nem frio, antes pelo contrário. Dá gosto viver em Outubro; nos outros meses também.


 


E quando acaba o Outono? Os pássaros do meu jardim mandam informar que é quando as coisas deixam de ser a brincar e passam a ser à séria. Cada um que escolha o seu Inverno mas eu acho que o Outono só acaba no dia em que os pássaros deixam de tomar banho no meu jardim e isso deve acontecer no dia em que acendemos um aquecedor cá dentro de casa.


 


Portanto, é assim: no Outono escrevo de janela aberta até que os pássaros avisem que o Inverno chega. A partir de então só me encontrarei com eles ao nascer do Sol para os ver a debicar na relva húmida ou encharcada quaisquer migalhas que só olho de pássaro topa. Mas isso será lá mais para diante.


 


E que escrevo no Outono? Coisas...


 


Lisboa, num dia em que os pássaros ainda tomaram banho no meu jardim.


 


estátua de camões 030


 Henrique Salles da Fonseca

0