A bem da Nação

HORA DO PIJAMA


 


Na hora do pijama é que aparece


A musa que me ajuda na poesia.


 


Seria mais normal, quando anoitece


E o cão, farto do alerta em todo o dia,


Se estira na casota e adormece;


Mas não, anda de noite e assim porfia


Pra que não seja vista por ninguém.


 


Eu sinto-a aqui, mas nunca a vi também.


 


Na hora do pijama é que visita


Este triste poeta, que sou eu,


Quando, com sono, já deixara a escrita.


 


Chega devagarinho. É jeito seu.


 


Faz-me sentar de novo e então me dita


O que lêem de mim, mas não é meu.


 


Ó forças infernais, praga confusa!


 


Na verdade, poeta é minha musa.


 


Faro, 24-04-2012 (00h11)


 


 Tito Olívio

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