Gota a gota fui sugada
e em nuvem transformada
viajei por todo o mundo
do céu alto ao mar profundo
fui orvalho da manhã
e reguei a hortelã
dei de beber às flores
e fui lágrima de amores
matei a sede a animais
e às pombas pelos beirais
agitou-me a ventania
e fui geada, bem fria
atapetei a verdura
com toda a minha brancura
depois choveu e choveu
e catrapus, lá fui eu
gota a gota caídinha
na chuva mais miudinha
desta vez por desafio
fui projectada num rio
e após muito viajar
ao mar alto fui parar;
voltei-me a evaporar
e tudo a recomeçar!
