Hoje, Natal de 2020, tenho uma pequena história para contar aos meus netos.
No primeiro ano do curso de Economia, tive um professor de História Económica, o Padre José Vaz de Carvalho[i], jesuíta, que certa vez me perguntou formalmente se eu sabia o que é a companhia de Jesus. Atabalhoadamente, balbuciei que é a Instituição da Igreja a que ele próprio pertencia. Sim, também, respondeu ele. Mas também são o burro e a vaca no Presépio, concluiu ele. Gargalhada geral e o exame prosseguiu concluindo-se de modo positivo para o aluno, eu.
Entretanto, a estes «santos animais» eu junto os camelos dos Reis Magos que ficaram à porta do Presépio pois, sendo muito altos, não puderam entrar.
Então, se os Reis Magos chegaram a Belém vindos a pé do Oriente, eu digo que fui à terra deles e gostei muito de lá ter ido. Os Reis Magos vieram a pé, montados nos camelos, desde a terra do incenso que só se produzia num local enquanto o oiro e a mirra se podiam obter em vários locais do mundo então conhecido. Os Reis Magos eram três poderosos Senhores (Reis) que atravessaram o deserto desde o extremo sul da Arábia, aquela terra que hoje corresponde ao Sultanato do Omã e, mais concretamente, vieram de uma cidade chamada Salalá que é onde há muitas árvores do incenso e onde se localiza o túmulo de São Joaquim, o Pai de Nossa Senhora e, portanto, Avô de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Desvendado o mistério da origem dos Reis Magos, acrescentemos os camelos à lista dos «santos animais» e louvemos o Salvador do mundo.
25 de Dezembro de 2020
Henrique Salles da Fonseca
[i] - Sim, Caro Leitor, parente da famosa Maria Amália do Liceu de Lisboa