UM MURRO NA MESA
Em Portugal, durante a Monarquia liberal (1834-1910)[1] assim como durante a primeira República (1910-1926) a génese do Poder era civil sendo os militares pontualmente chamados ao exercício da governação.
Em 28 de Maio de 1926[2] os militares entenderam que a degradação da Nação chegara a um ponto da maior gravidade e deram um murro na mesa impondo a ordem. A génese civil do Poder foi suspensa até que nova ordem fosse estabelecida. A partir daqui o Poder teria uma génese militar e os civis seriam chamados ad hoc conforme a função a desempenhar.
Mas surgiram todas as confusões, mesmo as de índole semântica: os militares queriam o restabelecimento da ordem no sentido de «ordem pública», a exercida pelos polícias, ou queriam a definição de uma nova ordem, uma nova hierarquização do Poder?
Antiparlamentar, o novo regime acaba por se assumir claramente como ditadura militar e corta todos e quaisquer laços que ainda poderiam subsistir da I República[3]. A opção ficou claramente definida como a de instituir uma nova ordem quando Óscar Fragoso Carmona assumiu a Presidência da República: a autoridade tinha que ser reposta e para isso poder-se-ia recorrer ao autoritarismo.
O triunvirato inicial: Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas e
Óscar Carmona
Mas nem tudo correu como desejado e várias foram as tentativas falhadas na busca de soluções para um relevante grupo de problemas, nomeadamente o do equilíbrio das Finanças Públicas.
Até que Carmona decidiu enfrentar os velhos problemas com novas soluções e convidou para a chefia do Governo o General Domingos de Oliveira, cargo que este prestigiado militar exerceu entre 21 de Janeiro de 1930 e 5 de Julho de 1932, data em que foi substituído pelo até então seu Ministro das Finanças, António de Oliveira Salazar.
General Domingos de Oliveira
(1873-1957)
Para escrever sobre o General Domingos de Oliveira daqui convido o seu neto, Luís Soares de Oliveira.
Lisboa, Maio de 2009
Henrique Salles da Fonseca
[1] - Oficialmente, o regime liberal foi inaugurado com a Constituição de 1822 mas como entre 1828 e 1834 decorreu a Guerra Civil, só no final desta, com a vitória liberal, é que podemos considerar que o liberalismo passou a vigorar com perenidade.
[2] - Para saber mais sobre a revolução de 28 de Maio de 1926 ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_28_de_Maio_de_1926
[3] - Assim é que o Comandante Gomes Cabeçadas (que substituíra em Maio o Presidente Bernardino Machado na chefia do Estado) é demitido e substituído pelo próprio Marechal Gomes da Costa que passado pouco tempo é substituído por Óscar Fragoso Carmona.

