
Desde sempre que os agricultores portugueses começam por produzir e só depois se dirigem ao mercado à procura de cliente. Na posse de produto perecível, submetem-se então ao preço que os comerciantes definem sob pena de ficarem sem produto (por apodrecimento) e sem dinheiro.
Trata-se de um óbvio desequilíbrio na distribuição do risco entre os diversos operadores económicos nos mercados agrícolas donde resulta um sistemático empobrecimento da oferta e um evidente conforto da procura.
O empobrecimento da agricultura fragilizou drasticamente a produção nacional que foi substituída pelas importações daí resultando um grave défice na balança alimentar nacional e um enorme desequilíbrio na balança de transacções correntes.
Urge, pois, distribuir o risco pelos diversos operadores nos mercados agrícolas de modo equitativo e isso só se pode fazer com a instalação em Portugal dos mercados sobre futuros.
Com esse tipo de operações, os agricultores poderão fixar (em Bolsa de Mercadorias, inexistente em Portugal) os preços futuros por que se comprometem a entregar, num prazo acordado, uma determinada quantidade de um produto padronizado (cereais, carne, oleaginosas). O documento a fixar a operação futura deverá ser descontável (o Crédito Agrícola deveria ser chamado a colaborar na implementação do sistema) e endossável (criando um mercado secundário assim atraindo um maior número de operadores e assegurando a transparência geral do sistema).
Esta é a solução para promover a transparência dos mercados e introduzir a lógica no método de formação dos preços.
Sem necessidade de investimento público para além do «árduo» esforço legislativo, a oferta ganhará condições que lhe permitirão relançar a produção.
A gestão da Bolsa de Mercadorias de Portugal poderia mesmo ser adjudicada (por que não ao Crédito Agrícola?) assim libertando o Estado de funções executivas e deixando-lhe essa bem mais importante de controlador.
