A liberdade de expressão pressupõe a liberdade de pensamento e a esta subjaz o livre arbítrio entre linhas alternativas de raciocínio. E é deste modo que surge a responsabilidade de assumir os ganhos e as perdas inerentes a cada opção. Mais: a liberdade individual acaba onde começa a do vizinho. Se assim não fôr, a conflitualidade de liberdades absolutas faz perigar a harmonia social. A liberdade é custosa e por isso há quem prefira obedecer alijando o encargo do pensamento e respectiva responsabilidade; a cerimónia sendo substituída pela «ordem unida».
A liberdade deve, pois, ser exigente (obriga a pensar), responsável pelos ganhos e perdas e cerimoniosa.
Este, o modelo que serve de base ao conceito político ocidental do humanismo, do pluripartidarismo, com as cúpulas a cumprirem a vontade das bases.
Pelo contrário, o modelo autocrático e, portanto, monolítico, com a «iluminação» de cima para baixo tem como caricatura a expressão
«Se pensas por ti pensas mal;
Quem pensa por ti é o Comité Central.»
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Nós, «Os falcões», pretendemos o rearmamento europeu como forma de dissuadir o inimigo e assim conseguirmos a paz; «as pombas» são os inocentes ao estilo de Nevile Chamberlain ou como agentes infiltrados pelo inimigo para dificultarem o nosso rearmamento; «os pardais» esvoaçam ao sabor dos telejornais mas têm uma arma poderosíssima que é o voto.
Platão, estás perdoado e traz-nos de volta a tua «República».
Setembro de 2025
Henrique Salles da Fonseca