A bem da Nação

FABULÁRIO DE FÉRIAS - 1

 


Deusa grega Momo


Momo, deusa grega


 


MOMICES


 


«Zeus, Prometeu, Atena e Momo»


 


Uma fábula de Esopo


Que me deu para traduzir


Em curta pausa de férias


Em vez de ler outras lérias


Tão sérias, Jesus, tão sérias!


É assim:


 


«Zeus, Prometeu e Atena


Tendo respectivamente criado


Um touro, um homem, uma casa,


Tomaram Momo por árbitro


Para que ela ajuizasse o valor


Das obras de cada um.


Invejosa e despeitada,


Momo declarou vivamente


Que Zeus fora desastrado


Senão mesmo estabanado


Ao não colocar os olhos


Nos cornos do touro,


Para que ele visse onde batia


Quando combatia.


A Prometeu condenou


Por o coração não ter posto


Do homem, na parte exterior


Do corpo,


Para o vício lhe impedir


De se dissimular


E assim patentear


Os vícios de cada um


No seu maior esplendor.


Concluiu


Que Atena deveria


Ter a sua moradia


Construído com patins


Para facilitar a mudança


Em caso de má vizinhança.


Indignado


Com tanto denegrimento


Zeus expulsou do Olimpo


Momo e o seu desbragamento


- E mesmo descaramento.


A fábula mostra com gana


Que ninguém nunca é tão perfeito


Que não dê azo à chicana.»


 


Foi isto que disse Esopo


Na fábula dos quatro deuses,


Deuses maiores ou menores


Sendo a Momo de menor topo


Mas não de menor topete.


Ainda hoje


Que vivemos em democracia


Verificamos


Diariamente


Que é dos seres inferiores


Na escala social


- Digo-o sem qualquer prevenção racista menos moral –


Que partem os falatórios


Provocatórios


Condenando os que governam,


- Quer governem bem ou mal -


De forma unilateral.


Parece-me bem bestial!


 


Berta Brás 2.jpgBerta Brás

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