A bem da Nação

EU, PECADOR, ME CONFESSO

 


 


É certo que me confesso em vão.


Nem ele quer saber do meu pecado,


Habituado


Que está às zoeiras no passado


Que são


As muitas que teve em seu redor.


Por tal motivo melhor seria


Que eu deixasse incógnita esta alegria


De reconhecer que pequei,


Por ter imaginado sequer que ele iria


Ser diferente do que tantas vezes foi,


Solitário, indiferente, superior,


Um tanto ridículo, com o ar simplório,


Mas pacientemente consciente


De que algo construíra


A favor da multidão reclamadora,


E de uma pátria que amou e segurou por várias vezes,


Por cima do barulho e da cegueira


Dos que, depois de bem servidos,


Com muitos pruridos,


Só viam nele mal, ingratamente.


“Gigante”, como lhe chamei um dia


Em “Figuras de papelão”, num cenário de cartão


Com que foi perfidamente entrevistado


Por Margarida Marante e companhia,


Tal como hoje, pretensiosamente,


Ululando displicências pela frente,


Hoje, todavia, antes pelas costas,


Por ser mais difícil de apanhar,


Ao ruído indiferente.


Eu própria distribuí por ele a ironia,


Achando que ele deveria actualmente


Ser mais rápido em execução,


Não deixando que o país sofresse


Tanta angústia por desconhecer


O seu pensamento no cenário humano


Tingido de sorrisos amarelos


Entre os quais os dele,


E de certezas dos que viravam


O país do avesso e se deliciavam


Na perspectiva da transformação.


Cavaco.jpg


Cavaco Silva respondeu


Como sempre, à multidão,


Com dignidade e a mesma chama


De cavaleiro andante com a cruz à frente,


Mau grado a idade da fragilidade.


Perdão!


Eu, pecador, me confesso,


Mesmo em vão.


Ainda que a resposta parlamentar


Deite tudo a perder.


Para Cavaco Silva


A minha muita gratidão


Por continuar a ser.


 


 


Berta Brás 2.jpg Berta Brás

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