A bem da Nação

EU NEM QUERO ACREDITAR


 


 


Contrariamente ao Luís Góis que encontra no mundo vários bens para serem guardados - tal o sorriso de quem passa, a acção de quem trabalha a cantar, a vela no alto mar livre, a chuva fecundante… - no seu belo fado, na sua voz extraordinária - eu estou de boca aberta, perfeitamente emudecida – siderada é mais culto - ouvindo gente das esquerdas eliminarem os bustos dos presidentes da República dos tempos da “Ditadura” de uma exposição na Assembleia da República, que contempla cem anos de Presidência – eu diria 104 - a pretexto de que tal emparelhamento significará branqueamento do fascismo.


 


Não, não posso acreditar em tanta acefalia a que o pertinaz sentimento de contestação, irredutível a qualquer tipo de reflexão e bom senso, levante a onda de protestozitos birrentos, de contestação só porque sim, que, de resto, se traduziram em resultado nulo.


 


Não, não vou desenvolver o tema inane. Mas recordo os versos de Luís Góis, que tentarei glosar pela negativa:


 


Eu não quero acreditar


Eu não quero acreditar


Que a tolice de quem brada


Seja um bem p’ra se guardar,


Que é luar ou sol de graça


Que nos venha alumiar


Que nos venha alumiar.


Eu não quero acreditar


Eu não quero acreditar


Que a acção de quem protesta


Com análise cavalar


Seja um bem p’ra se guardar,


Seja coisa p’ra cantar,


Seja coisa pr’a aceitar.


Eu não quero acreditar


Eu não quero acreditar


Que seja um bem p’ra se guardar,


Que presidentes de outrora


Sejam linchados agora


Na liberdade encontrada


No cravo de cor vermelha.


Eu não quero acreditar


Eu não quero acreditar


Que tal chuva de protestos


Seja um bem p’ra se guardar,


De gente de bem e sagaz


Seja coisa de aceitar


Com vontade de linchar.


 


Não, deixemos isto que é feio, ouçamos o imortal Luís Góis, pela Internet que seja:


https://www.youtube.com/watch?v=035FUgVlnyY&feature=kp


 


É preciso acreditar


É preciso acreditar


É preciso acreditar


Que o sorriso de quem passa


É um bem p’ra se guardar


Que é luar ou sol de graça


Que nos vem alumiar.


Com amor alumiar.


É preciso acreditar


É preciso acreditar


Que a acção de quem trabalha


É um bem p’ra se guardar


Que não há nada que valha


A vontade de cantar


A qualquer hora cantar.


É preciso acreditar


É preciso acreditar


Que uma vela ao longe solta


É um bem p’ra se guardar


Que se um barco parte ou volta


Passará no alto mar


E que é livre o alto mar.


É preciso acreditar


É preciso acreditar


Que esta chuva que nos molha


É um bem p’ra se guardar


Que sempre há terra que colha


Um ribeiro a despertar


Para um pão por despertar.


 


Berta Brás.jpg


 


  Berta Brás

0