A bem da Nação

ESTAREMOS A CAMINHAR PARA O ABISMO?

 


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À nossa volta vemos factos e intuimos tendências que nos levam a concluir que ‘as coisas’ vão de mal a pior e que nunca ‘o mundo’ esteve assim. Por exemplo:


- Os mortos e os estropiados provocados pelos homens-bomba, suicidas, em cidades ultra-seguras – como Londres, Paris, Bruxelas, Madrid, Mumbai, Jerusalém, Jacarta, Nova York, etc –, lançam pânico na população, semeando insegurança;


- Há trabalho infantil, a modo de escravatura; há crianças a chafurdar no lixo, para tirar daí o seu sustento. Muitas, ainda, são obrigadas a pegar em armas, numa violência que arrepia. Tudo isto em pleno século XXI!


- Um grupinho de multimilionários, vai enriquecendo mais e mais, destacando-se do grosso da população. Em Janeiro de 2015, a Oxfam previa que 1% apenas dos mais ricos possuirão mais de metade da riqueza do mundo, em 2016; 


- O Ocidente ‘rico’ já não cria trabalho para os seus cidadãos; muitos vivem de subsídios. Os produtos que antes fabricava e exportava hoje são importados e vendidos por uma fração do preço antigo;


- O consumo de drogas vai em aumento, bem como o seu tráfico. E as cidades ainda que limpas e convidativas estão desertas a partir de certas horas, e metem medo os assaltos.


 


Que aconteceu? Fomos presenciando um longo desfile de egoísmos, com total desprezo do outro, enquanto a força das armas o permitia:


- Veio a colonização, com o extermínio de muitos e subjugação com extorsão de outros;


- Veio a escravatura, à caça de mão-de-obra sem custos, aprovando leis iníquas, nos países ditos civilizados, sem respeito pelos direitos. Os escravos eram ‘objecto’ de compra-venda, sem voz!


- Veio a discriminação, o apartheid;


- E na sequência das atrocidades, veio o extermínio comunista, e o nazi. E outras formas de liquidação sumária de milhões que incomodam, entre elas o aborto.


Uma solução simples foi a chave: há algo que incomoda ou com que se pode enriquecer? Aprova-se uma lei com as pretensões dos poderosos, vá ela contra quem for, pise ou mate quem matar. E legítima-se a escravatura, apenas com base na cor da pele: compram-se, vendem-se e eliminam-se escravos…


 


No meio desta violência há gente sensível, que pensa, sofre e procura fazer algo construtivo, para sanar estas aberrações:


- Surgem âmbitos de colaboração, com que se cria muito mais riqueza; juntam-se países que antes se digladiavam. Há quem pede perdão para ‘purificar a memória’ (S. João Paulo II).


- Reduzir a ignorância, origem dos grandes males, com ensino para todos; e a satisfação das necessidades alimentares e acesso à saúde; e políticas para criar trabalho –manual ou intelectual, para cada um ganhar a vida e sustentar a família. Infelizmente ineficazes e são hoje como uma miragem… 


Nem toda a violência desapareceu. Há tumultos e atrocidades, com forte impacte, mas circunscritos, embora repetidos, de grupos marginais. Talvez os meios de comunicação, com imagens de alta resolução, lhes dêem uma viveza e proximidade que chocam pela brutalidade.


E em consequência, hoje:


- As pessoas que passavam fome – com menos de $1,25/dia – de 1990 a 2010, passaram de 43% para 21% da população mundial. Isto é notável: navegando nesta onda, seria tempo de que os responsáveis decidissem acabar com a pobreza no seu país até 2030. A India[1], onde vive o maior número de pobres, está apostada em acabá-la até ao ano 2032!


- A esperança de vida hoje – com o progresso das ciências, a prevenção e a atenção médica –, nada tem a ver com o passado (na India era de 32,5 anos em 1950, com o colonizador e é hoje de 68,1 anos).


- A grande percentagem de crianças de todo o mundo, em idade escolar, está a aprender; é alvo da atenção médica; alimenta-se muito melhor, pois a terra dá em abundância quando tratada com inteligência para a fazer produzir bem.


- O número de mortes em guerras e terrorismo, apesar de chocante, pela barbárie é, no conjunto, insignificante comparado ao de outros tempos.


 


Há consenso sobre o facto de que a qualidade de vida, o trabalho, a actividade intelectual e cultural, para o conjunto da população, é, de longe muito superior a qualquer época do passado. Lembrava o Presidente Obama, no discurso na Alemanha, em Abril passado que, ‘apesar de todas as dificuldades, o mundo atravessa um dos seus melhores momentos históricos’.


 


Eugénio Viassa Monteiro


Eugénio Viassa Monteiro


Professor da AESE e Dirigente da AAPI


 


[1] Modi disse na sua tomade de posse como Primeiro Ministro da India: ‘a primeira responsabilidade do meu governo é para com os indianos mais pobres’.


 

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