A bem da Nação

ESTAMOS MAL SERVIDOS

Tudo o que haveria a dizer sobre o, ainda, Governo, já está dito: esbanjou tempo e dinheiro em ridicularias, partirá sem dignidade. Um rápido final para este intermezzo inútil era o que todos merecíamos. Hélàs! Não. Por isto, há mais quem fique mal nesta fotografia.
Após a exoneração do Dr. Durão Barroso, o Senhor Presidente da República reflectiu durante longos dias, antes de tomar a decisão que era óbvia, visto que decorria de uma maioría parlamentar à primeira vista estável. Quando todos nós esperávamos esclarecimento sobre a razão de tanta demora - foi-nos explicado o óbvio, mas com enorme minúcia.
Percebemos, de imediato, que a decisão presidencial tinha sido tomada a contra-gosto, talvez porque as alternativas por ele antevistas fossem ainda menos desejadas. Este jogo de cenários foi, porém, cuidadosamente ocultado do digníssimo público. Nenhuma voz o exigiu. E o Governo lá iniciou o mandato na condição de contratado a prazo pelo Senhor Presidente da República, perante quem responderia prima facie - situação de legalidade duvidosa, mas que nem Governo, nem Assembleia da República, souberam, ou quiseram, contrariar. Nestas cir-cunstâncias, quem contrata, responde - e se o contratado tiver de ser demitido, isso prova, antes do mais, o erro de avaliação daquele que o contratou. Tivesse havido menos reflexão, melhor explicada, e outra seria certamente a imputação de responsabilidades. Assim, como os factos se deram, é esta a responsabilidade que há-que exigir.
A uma decisão retardada, seguiu-se agora uma decisão precoce que, como num passe de mágica, transformou em zombies dois órgão de soberania - quais frangos que, degolados, continuam a correr vá-se lá saber porquê. Para aumentar a trapalhada, parece que a Assem-bleia só será dissolvida depois de aprovar um orçamento que ninguém quere e que, provavel-mente, nunca será executado. Ou seja, cuida-se, com grande requinte, que a nova Assembleia e o novo Governo tenham desde logo umas frioleiras com que se entreter - antes de lançarem mão a essa coisa enfastiante que é conduzir a nação. Perante este quadro de pesadelo, os media, em piruetas de hipocrisia, louvam quem fez o mal, e faz agora a caramunha!

António Palhinha Machado

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