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Jacobitas – Nome dado aos membros de um conjunto do ritos ortodoxos de tendência monofisista da Síria, Mesopotâmia e Iraque, seguindo Jacob Baradeus, sagrado bispo em 541 pelo patriarca de Antioquia.
Janaismo – Do sânscrito jina, “vencedor, livre das paixões humanas”; religião da Índia, fundada pelo sábio Mahãvira (559-527 a.C.), resistiu ao brahmanismo, o que faz com que exista até hoje. É uma reacção contra o politeísmo, o sistema demasiado rígido das castas e contra os sacrifícios sangrentos, mas aceitando o pensamento geral e o papel dos brahmanes em algumas cerimónias dos templos; mas a base da sua religião é o ahims㸠a não-violência, que proíbe maltratar ou matar qualquer criatura. Há duas seitas distintas: os digambaras, “que são vestidos de ar” e os cvetãmbata, “vestidos de branco”.
Jansenismo – Doutrina religiosa e moral católica do séc. XVII, do nome de Jansénius (Cornelius Jansen – 1585-1638), cuja obra, Augustinus, aparecida em 1640 foi atacada pela Sorbonne e pelos jesuítas. Depois de muito perseguida sobrevive ainda na Holanda, com centro em Utrecht.
Jerónimos – Ordem religiosa fundada por São Jerónimo e aprovada no ano de 1373 pelo papa Gregório XI que residia na época em Avinhão. É uma ordem religiosa exclusivamente hispânica, dado que apenas se implantou em Espanha e Portugal e esteve bastante vinculada às monarquias reinantes de ambos os países. Prescrevendo uma vida de solidão, silêncio e de oração assídua.
Jerusalém – Cidade santa para os judeus, católicos, ortodoxos e muçulmanos. Conquistada por David cerca de 1.000 anos a.C. aos jebuseus, não era mais do que uma plataforma de rotas de caravanas e tornou-se um centro judeu. Salomão construiu aí um templo em 966 a.C. que Nabucodonosor destruiu em 586, reconstruído em 524-515. Pilhado em 168 por Antioquío Epifânio foi mais uma vez restaurado e embelezado por Herodes 20 a.C. Depois da tomada de Jerusalém por Tito em 70 d.C. o templo foi incendiado por ordem de Adriano e em 153 no mesmo lugar construiu-se o tempo a Júpiter Capitolino, que Constantino mandou arrasar no séc. IV. Este imperador mandou construir diversas igrejas sendo a do Santo Sepulcro a mais importante. Em 638 o califa Omar, no topo do rochedo, lugar do antigo templo ergueu a famosa mesquita que tem o seu nome. Uma parte das muralhas é hoje o “Muro das Lamentações”. Foi em Jerusalém que Maomé teve a sua “visão nocturna” durante a qual foi elevado aos céus.
Jesuitas – Membros da ordem fundada por Santo Inácio de Loyola, em 1534, quando seis estudantes se ligaram por votos de pobreza, castidade e obediência, antes de irem para a Palestina como soldados de Deus. Não podendo fazer a viagem ficaram em Veneza.
Jizo – Deus do budismo japonês, Kshitigharba, protector das mulheres, crianças e viajantes; por isso a sua imagem é colocada nas encruzilhadas.
Joaquim de Fiore – Teólogo místico italiano (1130 – 1202) muito jovem foi pajem do rei da Sicília e teve ocasião de viajar à Terra Santa, onde fez um retiro de intenso ascetismo. Regressado à Itália, provavelmente em 1159, retirou-se para a abadia cisterciense de Sambucina, dedicando-se à pregação, escusando-se contudo de tomar o hábito religioso ou a ordenação. Em 1168 tomou o hábito beneditino de Cister na Abadia de Corazzo e foi ordenado presbítero. Após a ordenação, passou a dedicar-se inteiramente ao estudo da Bíblia, procurando o significado mais profundo das Sagradas Escrituras. Alguns anos mais tarde, tendo ganho fama de virtuoso e sábio, foi eleito abade, embora contra a sua vontade. Sentindo que as funções e deveres de abade eram um empecilho aos seus estudos bíblicos, que ele considerava serem a missão da sua vida, pediu escusa ao papa Lúcio III, que em 1182 o desonerou do governo temporal da abadia e entusiasticamente aprovou o seu trabalho, encorajando-o a prossegui-lo na abadia da sua escolha. Passou os anos seguintes na abadia de Casamari, trabalhando afanosamente nos seus livros, secretariado por Luca Campano, um jovem monge que viria a ser arcebispo de Cosenza, o qual deixou como testemunho a sua admiração pela humildade e desapego de Fiore pelas coisas terrenas e pela devoção com que pregava e celebrava a missa. A aprovação papal para os seus estudos foi confirmada por Urbano III (1185) e Clemente III (1187), tendo este exortado Fiore a completar o seu trabalho. Sempre embrenhado no seu labor, Fiore retirou-se para o eremitério de Pietralata, acabando depois por fundar a abadia de Fiore nas montanhas da Calábria. A nova abadia tornou-se, ainda em vida do seu fundador e com a aprovação em 1189 do papa Celestino III, o centro de uma nova ordem independente, embora baseada na beneditina Ordem de Cister, mas mais rigorosa e mais mística, designada por fiorences em homenagem ao seu fundador. Em Portugal, onde os franciscanos tiveram influência relevante, as ideias de Joaquim de Fiore estão subjacentes ao lançamento do culto do Espírito Santo, aparentemente com a rainha SantaIsabel, bem patente na obra do Padre António Vieira.
Jõdõ – Importante seita budista no Japão, idêntica à amidaísta onde a finalidade é a busca pelo paraíso de Amithabha, ou paraíso do Ocidente, tal como no druidismo.
Judaísmo – Religião actual dos judeus descendentes de hebreus, que receberam o ensinamento através de Moisés. Apesar de dispersos pelo mundo formam uma civilização, uma comunidade histórica e literária. Têm consciência de um destino comum e consideram-se o povo eleito. Descendentes de Abraão, como os cristãos e os muçulmanos, os israelitas regressaram do Egipto para a “Terra Prometida”, a Palestina. Durante os quarenta anos que durou essa travessia Moisés recebeu as tábuas da lei e organizou o judaísmo. Uma vez na Palestina, na Terra de Canaã, nomearam um rei, construíram o templo, organizaram o culto e Jerusalém tornou-se o grande centro religioso. Guerras fratricidas entre as tribos de Israel criaram o cisma que apôs as duas tribos do reino de Judá aos de Israel, no séc. X a.C. Em 586 a.C. o Templo foi destruído por Nabucudonosor e toda a população levada em cativeiro para a Babilónia, onde o povo judeu tomou consciência da sua unidade religiosa, reorganizando o judaísmo à volta de um escriba, Esdras –Ezra, “aquele que ajuda” – apoiando-se na Bíblia que terá sido escrita, o Antigo Testamento, entre 1445 e 450 a.C., de que os primeiros cinco livros, o Pentateuco, formam a Torá, base religiosa da lei de Moisés. Gerações de piedosos rabinos elaboraram o Talmud já desde a Babilónia unindo a tradição oral à escrita. A doutrina judaica pode resumir-se na profissão de fé: “Escuta Israel, o Senhor nosso Deus, é Um”. Continuam aguardando a vinda de um Messias. Distinguem-se, entre os judeus os askenasi, oriundos da Europa do Leste, dos sefarditas, da Península Ibérica.
Júdeo-cristianismo – Nos primeiros tempos do cristianismo, doutrina que admitia a iniciação prévia ao judaísmo. Todos os apóstolos de Cristo eram judeus e continuaram a observar os preceitos da lei, pregando a doutrina nova sem contradições. Assim que começaram as conversões dos “gentios” surgiram as polémicas entre os judeus de Jerusalém que afirmavam que estes deviam submeter-se à lei moisaica e os chefes da Igreja de Antioquia que negavam tal obrigação. Numa grande assembleia em Jerusalém onde São Paulo e São Barnabé dirigiram o debate, ficou assente que a religião de Cristo não exigia nenhuma observação da antiga lei e suprimiram a circuncisão.
Julgamento final – No fim do mundo, Deus julgará os mortos segundo as suas obras no mundo, o seu merecimento ou condenação. No judaísmo, cristianismo, Islamismo, budismo, e no antigo Agito, todos têm a mesma crença.
(continua)
Dezembro de 2013
