Vieste até mim
brisa
no cantar dos rouxinóis
e os campos do Bierzo
enfeitaram a paisagem
da minha aldeia
ao pé do mar…
vieste um dia
guitarra às costas
no descanso que o Trovador
merece
depois de findas as lutas
da palavra
quando a palavra já pode
ser pão e pousio e canto…
vieste, flor na boca
boina Basca ao lado
e cantavas cantigas de
amar…
ah meu Amigo-Trovador
vieste
e em ti pousaram as musas
da tua terra, campo e monte
e da minha aldeia
a poente
onde a casa é o colo
onde sossegam marinheiros…
vieste
e a tua guitarra foi lança
que D. Quixote levantou
em meu peito
e Camões transformou
em epopeia…
e dedilhando cantigas
deixaste em mim
as mãos de Rosalia
e os poemas de Federico…
os rouxinóis te trouxeram
e levaram
e as rolas da minha aldeia
me oferecem hoje
a beleza do encontro!
Maria Mamede