O conhecimento empírico é aquele que se obtém pela mera observação. Despojado de qualquer intenção, é inocente.
E aqui vou eu pelo empirismo além munido de toda a inocência para constatar que há 77 anos tanto a Torre de Belém como o Cais das Colunas, a praia do Ginjal e, de um modo geral, todas zonas ribeirinhas deste final do Tejo se encontram com as águas sensivelmente ao mesmo nível
médio entre as marés.
E se aparecer algum sábio a afirmar que nos últimos y anos o nível das águas subiu ou desceu meio centímetro, eu acho que esse medidor terá que ser aferido e o cientista que vá pentear macacos sãos, sem varíola.
Aqui, na minha «aldeia» - que é a mesma do Fernando Pessoa – o conhecimento empírico diz-nos que a elevação do nível médio dos mares é tanga e que o rei de Vanuatu apenas grita porque quer ir viver para Londres ou… se eu vivesse num arquipélago de atóis afundantes pelo peso dos corais e de materiais importados, também quereria emigrar mas não argumentaria com a elevação dos mares quando se sabe que são essas ilhas curiosas e paradisíacas que estão a afundar.
Mas o negócio das emissões de gases poluentes e de efeito estufa, sim, exige que se instale o pânico.
Também sabemos que não é o Adriático que sobe mas sim Veneza que se afunda.
Lisboa, 21 de Maio de 2022
Henrique Salles da Fonseca