A bem da Nação

EBRIEDADE

 


 


De João César das Neves, o excelente texto (O INOCENTE) sobre uma figura que no canal 1, aos domingos, vai vertendo argumentos matreiros, de aparência feita de saber experiente e imaculado, a uma bonita entrevistadora, representante não dos que nele se revêem, mas dos que fabricam a destruição dos sucessores desse, que, abrutalhadamente vão cerzindo remendos no pano puído do rectângulo pátrio, esgarçado pelos sucessivos puxões em que todo um povo foi colaborando, reivindicando continuamente as migalhas que lhe eram devidas de um bolo em que naturalmente chafurdou mais, quem mais amassou a massa.


E todos esses que negociaram maliciosamente a sua exposição pública se saracoteiam em torno da figura ruidosamente “amoral” que cá chamaram, sem qualquer decência perante a nação, cientes de que o povoléu se lhe irá prostrar aos pés, habituado que está a suplicar o milagre, na sua humilhação de séculos, e que as outras frentes feridas no seu sossego provavelmente o aclamarão, indiferentes às responsabilidades dessa figura na marcha da nossa ruína.



 


Mas se outras mais figuras de caquexia são aceites e veneradas nas bojardas que por aí debitam, porque não aceitarmos mais estas que, afinal, até se apresentam lindamente encadernadas?


Escusamos de condenar. O país vive na desvergonha de uma embriaguez sem tino.


 


 Berta Brás

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