Cada vez mais celebramos cada vez menos a restauração nacional e até há quem publicamente pugne pela união ibérica numa atitude que há não muito tempo daria cadeia. Mas em democracia é assim, cada um pode dizer o que entende, sobretudo quando em sintonia com as regras em vigor de combate a quaisquer sentimentos patrióticos.
Sujeitos a esta doutrina internacionalista, compreende-se que os sucessivos Governos tenham deixado de apoiar as celebrações do 1º de Dezembro e que a efeméride se limite a discreta evocação celebrada em Lisboa por poucos cidadãos junto ao monumento na Praça dos Restauradores.
É neste cenário que vem a propósito referir o que acaba de se passar em Espanha:
1 - A companhia aérea Ibéria foi nestas últimas semanas alvo de assédio accionista por parte da British Airways (possuindo 10% da empresa espanhola, queria passar a ter mais) em consórcio com uma empresa americana (Texas Pacific Group) e com mais três empresas financeiras espanholas não identificadas pelo The Economist na edição de 29 de Novembro de 2007 de que retirei a informação. Pois bem, perante a possibilidade de o controle de gestão da sua empresa aérea de bandeira passar para mãos estrangeiras, o Governo de Madrid fez com que a Caja Madrid reforçasse a posição de accionista na transportadora para 23% e anulasse o assédio liderado pelos ingleses que se terão retirado da estrutura accionista da Ibéria;
2 – Na semana que agora finda, noticiaram os jornais de Lisboa que os potenciais investidores portugueses foram impedidos de acorrer à Bolsa de Madrid no âmbito do processo de privatização da eléctrica Iberdrola.
O liberalismo internacionalista em Espanha é moeda de uma só face: a que interessa ao nacionalismo espanhol.
Entretanto, desfraldemos a nossa verde-rubra já que pouco mais nos é permitido.
Henrique Salles da Fonseca