A bem da Nação

DE MÉDICOS E ESCRITORES TODOS TEMOS UM POUCO

 


 


João Guimarães Rosa, Dráuzio Varela, Moacir Scliar, João Gilberto Rodrigues da Cunha, Pedro Franco, Pedro Nava, José Nivaldo Barbosa de Souza,... e muitos outros, antigos e actuais, nacionais e estrangeiros, foram tantos os que actuaram na Medicina e na Literatura que encheriam páginas e páginas. Todos eles foram além de médicos do corpo, pesquisadores da mente do Homem. Usaram a pena e o papel como instrumentos de trabalho. Nas receitas tratando doenças, na literatura escrevendo tratados, desvendando segredos da matéria e da alma humana. Médicos e escritores desenvolveram as actividades de acordo com suas vocações e sensibilidades. Para alguns, quando a crueza da matéria machucava, a ideia de sublimar as dores através das palavras se aguçava, assim era mais fácil entender e suportar as mazelas da nossa frágil natureza. Colocar no papel as suspeitas, as percepções, as determinações e conclusões, distanciava sentimentos, amenizava sofrimentos. Dizem que Guimarães Rosa era tão sensível que não suportava ver as dores do seu semelhante, passou então a descrevê-las, como uma forma de sublimá-las. Chegou a dizer que de facto para médico não tinha queda, preferia as letras, talvez por serem mais facilmente manipuladas. Outros há como o Dr. Dráuzio Varela, que de uma forma moderna e inteligente, numa fala mansa, profissional, dá o recado seguro a uma população que preferencialmente vê TV.


 


A Ciência e a literatura desde sempre andam a par. São pontos de vista diferentes que se fundem na percepção do médico-escritor.


 


Vence a que tiver mais repercussão no espírito do interlocutor. O Homem e seu destino como alvos da pesquisa e da Ciência ou os sentimentos Dele transplantados em ensaios, contos, histórias, poemas, como fonte inspiradora.


 


Como aqueles que fazem de tudo um pouco, e que em certo tempo da vida, já mais acomodados, encontram na escrita uma fonte de prazer ou uma forma de viver, deixo as sugestivas palavras do Dr. José Nivaldo:


 


“Não tenho medo da morte, mas faço de tudo que é possível para ir vivendo, inclusive escrever...”.


 


 Maria Eduarda Fagundes


 


Uberaba, 04/01/13

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