Sim, é disto que mais gostamos: das festas e das épocas festivas. Mas esta de termos de passar pela morte de Cristo para só depois celebrarmos a sua ressurreição é que não vem muito a propósito daquilo de que mais gostamos – das festas e das épocas festivas.
Mas hoje é Domingo de Páscoa e aí está a festa da celebração maior do cristianismo, o cerne da sua fé, a ressurreição de Cristo. E como disse São Paulo na sua primeira carta aos coríntios, «se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa fé».
E o leitor mais esquecido perguntará se o Natal não é, esse sim, a maior celebração. Ao que lhe respondo que essa é certamente uma celebração importante, a do nascimento do Filho de Deus, mas que entretanto foi profanada e transformada na festa maior da Confederação do Comércio. Sim, já antes desta profanação o Natal era muito importante mas a festa maior sempre foi a que celebra a essência da fé cristã, a ressurreição de Cristo e a eternidade da alma.
Acontece que a distribuição de presentes no ambiente natalício, à imagem do que fizeram os Reis Magos ao Menino Jesus, atrai muito mais gente, sobretudo a não ligada a temas teológicos, enquanto a ressurreição, essa, já implica uma formação religiosa que nem todos hoje possuem (nem querem possuir).
Hoje é, pois, dia de festa e da maior!
E dentro de dias vem aí o Carnaval.
O quê? Como assim? É que dentro de dias comemora-se o 25 de Abril de 1974 e logo de seguida o 1º de Maio. Carnaval pela ordem inversa à do verdadeiro a que se segue a Quaresma, desta vez é a Quaresma que antecede o Carnaval.
Vem aí a comemoração da entrega do Império Português ao Império Soviético, a da liberdade que os comunistas passaram a ter de prender os não comunistas. Curiosamente, os comunistas passam por cima das comemorações que nós, os não comunistas, festejamos tais como a queda do comunismo em Portugal no 25 de Novembro de 1975 e a queda do Império Soviético em 9 de Novembro de 1989. Decididamente, Novembro não é vermelho e Abril é de cravos já bem murchos.
Segue-se a comemoração do 1º de Maio, dia em que no ano 305 Diocleciano e Maximiano, imperadores de Roma, deixaram de governar, em que no ano de 1328 a Guerra da Independência Escocesa terminou e se assinou o Tratado de Edinburgo-Northampton pelo qual o Reino da Inglaterra reconheceu o Reino da Escócia como um estado independente, em que a armada luso-espanhola da Jornada dos Vassalos em 1625 reconquistou Salvador na Bahía aos holandeses, em que no ano de 1834 a escravatura foi abolida nas colónias inglesas, se realizou o casamento de Elvis Presley com Priscilla Beaulieu em 1967...
Vamos, pois, muito em breve dar VIVAS Á PRISCILLA!!!
Não? Como assim? Devo ter-me enganado em qualquer coisa...
Mas é disto que a gente gosta – das festas e das épocas festivas.
Domingo de Páscoa, 20 de Abril de 2014
