D. Pedro IV de Portugal ( D. Pedro I do Brasil) era uma figura romanesca, famoso pela vida aventurosa e inquieta. Relata-nos Marcelino Lima, no seu livro Famílias Faialenses, que o monarca antes de chegar à Terceira, à época das disputas entre liberais e absolutistas, ao passar pela Ilha do Faial, no seu vapor O SUPERB, desembarcou pelas 22 horas, na calada da noite, pisando as pedras do Castelo de Santa Cruz da Horta, acompanhado apenas pelo seu ajudante de ordens. Seguiu pelas ruas ermas e escuras da cidade em direção ao solar do Morgado José Francisco da Terra Brum, que na ocasião dava um pomposo baile para sua filha. No caminho foi reconhecido por Sergio Ribeiro, que pasmado ofereceu-se para acompanhá-lo até o solar do capitão-mor da Ilha, coisa que ele respondeu: Deixa-me homem...Se quiseres vai tu até lá ter, mas eu quero ir sozinho. Era a segunda vez que D. Pedro ia ao Faial. Na primeira se hospedara na casa do Morgado Terra Brum e havia prometido ir à festa de aniversário da filha dele, Joaquina.
No dia do baile ninguém acreditava que o monarca voltasse à Ilha para cumprir a promessa. Foi com grande espanto geral que ele chegou naquela noite, subiu as escadarias do solar teatralmente e entrou radiante no salão do solar, de casaca com a Gran Cruz ao peito, ante as reverencias atônitas do guarda do portão e o jubilo dos convidados e do anfitrião. A noticia correu e despertou a cidade que acorreu para ver Sua Majestade. Foi um verdadeiro acontecimento histórico. No dia seguinte, de madrugada, D. Pedro regressava para a Terceira.