Lisboa está muito mal sinalizada
v Não há político que se preze, com vontade de botar faladura em matérias financeiras e com vision du monde, que não desperdice a menor oportunidade para zurzir nos Centros Financeiros Offshore (CFO) – esses cóis de malandragem.
v Não sabem que ele há CFO nos sítios mais inesperados, como NY, Tóquio, Londres, Malásia, Singapura ou, mesmo, na calvinista Suíça. Imaginem! Até o Comité de Basileia, o sínodo dos Bancos Centrais mais poderosos sobre a Terra, se apoia num Grupo do Offshore (cruzes e benzeduras).
v Na realidade, há CFO para todos os gostos, desde os exemplarmente supervisionados (como muitos dos que acima referi), às verdadeiras ilhas de piratas. Mais ou menos o que se passa também nos sistemas financeiros onshore - mas quanto a estes, todos guardam de Corrado o prudente silêncio.
v Que os CFO se especializam em reabilitar (branquear, é a palavra apropriada à circunstância) capitais de origem inconfessável. Capitais que, para mais, crime entre os crimes, ousam escapar à voracidade e à ganância fiscal de Governos que poucas e fracas contas dão dos gastos que fazem com alegre liberalidade.
v Sim! Sim! Porque, tal como os CFO podem ser pólos de branqueamento de capitais, o exercício financeiro de um Estado, se mal regulado e mal supervisionado, é um excelente pólo para branquear despesas.
v Mas voltemos aos CFO. Falta de supervisão, regulação nula ou negligente, incompetência, cumplicidades várias ou indiferença perante actos de ostensiva ilicitude são sinónimos que preenchem os discursos dos que se insurgem contra os CFO, por neles verem a origem de todos os males.
v E eu que durante tantos anos tive aqui bem perto, na Av. António Augusto de Aguiar, bem no centro de Lisboa, à vista de todos, um CFO "à maneira" sem o saber.
Novembro de 2008
A. PALHINHA MACHADO