A batata branca nos Açores (Faial)
Plantação de batatas
Fonte: Wikipédia (enciclopédia livre)
Um dos alimentos mais produzidos e consumidos no mundo (4º), a batata branca ou inglesa, como se chama no Brasil, de origem sul-América (região dos Andes), chegou à Europa levada pelos espanhóis no século XVI. No início não apreciada, espalhou-se por esse continente através da Espanha, Itália e Inglaterra. No século XVIII já era cultivada intensamente em Portugal.
Na Ilha do Faial, o seu cultivo começou de forma produtiva em 1780 por ordem do Capitão-general dos Açores D. Antão de Almada, que seguia as instruções do então Ministro do Reino, o futuro Marquez do Pombal, no intuito de estimular a agricultura nas terras cultiváveis das ilhas. Já nessa época recomendava que evitassem “...o grande e prejudicial erro de se reduzirem a pastagens de gado terras úteis e capazes de produzir frutos”. Dava, inclusive, entre muitas outras providências as regras de manejo das terras.
Pelo pouco interesse inicial das gentes, que não apreciavam o tubérculo, a batata só era cultivada em terrenos baldios. Mas a autoridade se impôs e as sementes distribuídas à população geraram uma grande produção, que era vendida a baixos preços, nos primeiros tempos. Para estimular a plantação o governo não cobrava a dizima. No ano 1866 a produção no Faial chegou a 551.044 Kg.
Mudara-se o interesse e o gosto pela batata, agora um dos produtos mais consumidos na ilha.
Viajantes como Jacques Cook (1775) e Gustavo Hebbe (1800) escreveram sobre o Faial o seguinte:
CooK:
...achamos os campos bem cultivados e de belo aspecto: o trigo que os insulares semeiam é de espécie barbu (com barba); vimos junto às casas terrenos de abóboras, pepinos e melões; os pomares produzem limões, laranjas, ameixas, damascos, figos, peras e maçãs; há poucas couves e as cenouras degeneram, tornando-se brancas, vendo-se os habitantes na necessidade de importar todos os anos sementes novas. Plantam por ordem do Governador grande quantidade de batatas que vendem a baixo preço, pela razão de não gostarem delas. As cebolas e alho, legumes que os portugueses usam muito, abundam nesta ilha, assim como os morangos e o solanum lycopersicon a que dão o nome de tomate.
Gustavo Hebbe:
A terra é bem cultivada, produz milho e cevada, às vezes debaixo de soberbos castanheiros. Produz bom trigo, frutas, abóboras e batatas de excelente qualidade, em quantidade superior ao consumo local. Os pomares produzem com abundância várias espécies de laranjas e limões...os morangueiros abundam”
Isso foi o que viram esses viajantes no Faial dos séculos XVIII e XIX. Na actualidade os pastos tomaram conta das terras, raros são as hortas e pomares. Hoje, no século XXI, na era do conhecimento e da tecnologia, nada se planta, tudo se importa! Estamos evoluindo...na dependência!
Uberaba, 16/11/14
Maria Eduarda Fagundes
Dados compilados dos ANAIS DO MUNICIPIO DA HORTA (Marcelino Lima)
(História da Ilha do Faial) 1943 Oficinas Gráficas “Minerva”, Vila Nova de Famalicão
