Cooperação Agrícola – Inauguração de Estação de tratamento de café em Ermera |
O PADRTL – Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural de Timor-Leste – promove o apoio à comunidade rural na actividade agrícola e agro-florestal, contribuindo assim para o aumento dos seus rendimentos, e por conseguinte, para a melhoria da sua situação económica e das condições de vida. São três as grandes áreas de intervenção: A) No distrito de Aileu, onde a partir da Quinta de Portugal e em estreita parceria com as comunidades, a aposta vai para a produção de espécies para a reflorestação e diversificação de culturas, como as hortícolas e frutícolas. Abrangendo também o distrito de Manufahi, o PADRTL promove ainda a expansão das culturas de rendimento, como as especiarias e a baunilha. B) Capacitação Institucional e promoção de parcerias com departamentos da administração pública, com a UNTL, ONG e outras agências de desenvolvimento, através de acções de formação, atribuição de estágios, e iniciativas de divulgação e sensibilização, bem como de informação, como é caso de programas de rádio, por exemplo. C) Sobretudo no distrito de Ermera, onde apoia a produção do café, que é a principal do país e que constitui a maior exportação não petrolífera. O PADRTL forma os agricultores, promove a criação de associações de produtores e estabelece a ponte com as empresas compradoras. Ao mesmo tempo assegura a distribuição de plantas de café e promove a plantação de novos cafezais. A pensar no sucesso da cultura do café, foram criados 56 viveiros comunitários, cuja produção ascende a 450.000 plantas, na sua maioria sombreadoras essenciais à boa produção do café. Para além dos viveiros, a infra-estrutura criada pelo PADRTL inclui a criação de estações de tratamento de café, dotadas de terreiro de secagem e armazéns e apetrechadas com máquinas de despolpagem. São já 11 as estações em funcionamento. Foi precisamente por ocasião da última inauguração da estação de Leguimea, em Hautuletan, Ermera, que o coordenador do PADRTL, Eng. Miguel Nogueira, escreveu um testemunho que reflecte o trabalho desenvolvido e que agora se partilha com os utilizadores do site. " RETOMAR O PASSADO NAS MONTANHAS DE TIMOR …Muito se fala de Timor e dos problemas que atravessa deixando uma imagem dessa terra fascinante que nem sempre é a melhor. Mas em Timor muito mais se desenrola do que agitação política, desentendimentos e processos eleitorais. Lá nas montanhas imponentes e cheias de verde envoltas na bruma da manhã e nos vales rochosos onde aqui e acolá se destacam correntezas de água que alimentam os tradicionais terraços de arroz, à semelhança do que acontece um pouco por todo o Sul da Ásia continua a correr também o dia a dia dos camponeses ao ritmo dos passos do cavalo e dos labores agrícolas e longe das preocupações da cidade de Dili, onde muitos teimam em alimentar empoladas querelas de uma cidade capital. É também lá nas montanhas que vive o verdadeiro Timor, o Timor agrícola, de gente simples e por vezes esquecida, mas que representa de longe a maior fatia da população e que por isso importa lembrar. É disso que trata o trabalho dos agrónomos do "Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural de Timor-Leste" e que desde há seis anos continua a tentar entender os problemas do camponês timorense e a levar-lhe algumas soluções que o ajudem a melhorar a sua condição. A eles lhes chamaram há pouco os "Missionários do Café". O Programa que o PADRTL/IPAD desenvolve tem tido recentemente um grande incremento, de que já foi nota em vários meios de comunicação social, sobretudo na imprensa portuguesa e timorense e por esse facto e como pareceria mal não o fazer, oportunamente se leva esta menção à "Newsletter" do IPAD e à Página da "Embaixada de Portugal em Timor-Leste". A história de Ermera e do seu café, de Aileu e das plantações de árvores exóticas e especiarias, de Manufahi e do cultivo da baunilha começa a escrever-se de outra forma, que não só de abandono e pobreza. Aqui a história é outra e o esforço conjunto que portugueses e timorenses têm levado a cabo, começa a ter uma dimensão e resultados que provam como se pode escrever Cooperação com letra grande. Retoma-se uma história antiga de namoro português com a ilha do "Crocodilo" que como diz a lenda deu origem ao Timor montanhoso. E assim continuam os portugueses a insistir no café de Timor, ainda considerado por muitos como um dos de melhor qualidade no mundo e que constitui para Timor a sua maior exportação não petrolífera e mais importante que isso, a quase exclusiva fonte de rendimento do agricultor nacional. Investe-se também nas especiarias, e já não em caravelas nem em efémero comércio marítimo, mas numa rota diferente por veredas e aldeias, fomentando plantações familiares e criando viveiros um pouco por toda a parte, motivando a "febre" da produção do cravinho, da noz da Índia, da canela e da pimenta para a qual o país tem tanta aptidão. Estão já implantados no terreno em três dos treze Distritos de Timor cinquenta e seis viveiros prevendo-se um total de quase 450.000 plantas produzidas este ano para distribuição pelas comunidades rurais. Grande parte deste esforço centra-se na produção de plantinhas de café, pois que infelizmente o cafezal de Timor padece de ser um dos mais antigos do mundo, sendo a sua produtividade largamente afectada pelo facto. Por esta razão o PADRTL está de parabéns pois segundo relatórios relativos ao trabalho anterior a 1975, o ritmo de replantação de então foi já substancialmente ultrapassado e isto com recursos materiais e humanos tão escassos comprovando mais uma vez a capacidade do português no que toca ao trabalho nas regiões tropicais. Para além desta actividade muito mais se tem realizado e pequenas e grandes conquistas têm sido efectuadas agora não tanto sob a forma de feitos guerreiros e campanhas de pacificação, mas nas campanhas de arroz e de sensibilização nas escolas sobre a importância da floresta e do ambiente e no benefício do café onde ao invés de conquistar praças e erigir fortalezas, temos sido fortes em construir novos e velhos Centros de Benefício de Café, alguns de tempos imemoriais perdidos nas matas de Timor. E não contra, mas com a ajuda das populações locais contando já com mais três unidades este ano, o que perfaz onze no total. Também aqui a história está quase retomada, pois que em 1974 haviam vinte e quatro Centros a operar em Timor. E porque não só de passado se deve falar, rumamos agora para novos Projectos e estamos já ocupados em ainda este ano avançar numa nova ideia de plantação em larga escala de centenas de hectares de plantações mistas de coqueiro para aproveitamento de óleo e cajueiro destinado a exportação de castanha de caju, intercalado com espécies de madeiras nobres, como a Teca, o simbólico Sândalo, o Pau-rosa e o Mogno. Para isso estabeleceremos novos técnicos e viveiros nas costas de Bobonaro a Norte e Cova Lima a Sul, esperando desenvolver uma rede de viveiros e plantações com uma densidade sem precedentes levando às inúmeras comunidades pobres da costa o mesmo espírito que se espalha na montanha. Esta é realmente a nossa Missão Agrícola que retoma a história e lhe dá seguimento tendo por grande objectivo Cooperar com um povo que ainda a Portugal se teima em ligar e com uma nação que tem muito para dar, muito para aprender e sem dúvida muito também para ensinar. Esperemos que o nosso trabalho continue em direcção a "bom porto". Dili, 27.07.2007 Miguel R. Nogueira |