A bem da Nação

CONTOS TRADICIONAIS DA LUSOFONIA

 


 


ANGOLA


 


O LOBO E A RAPOSA


 


Havia um lobo que tinha um bode. A raposa tinha uma cabra. A raposa foi pedir o bode ao lobo para criar com a fêmea.


 


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A cabra da raposa teve dois filhos. Depois, o lobo foi pedir os cabritinhos da raposa, dizendo que eram dele porque eram filhos do seu bode. A raposa respondeu:


Não, os cabritinhos são meus porque são filhos da minha cabra.


 


E o lobo a teimar que eram dele. A raposa foi depois queixar-se ao rei, que era o dono da mata – o leão – e este diz:


Vou chamar os bichos todos para virem amanhã ao julgamento, de manhã.


 


Só depois de estarem todos reunidos os bichos, começou o julgamento e à frente estavam o lobo e a raposa. Dos animais, só faltava o cágado.


 


Esperaram um pouco mais. Aí vinha o cágado, lá ao longe. O lobo falou ao cágado:


Oh! Bicho da casca, onde estavas que demoraste tanto tempo? Os bichos todos já estão cá e os elefantes também.


 


O cágado respondeu:


Eu estava ao pé de meu pai, que estava a ter um filho...


lh! Como é que você fala? Assim o teu pai costuma dar filhos? É por acaso mulher?


 


Todos os bichos que ali estavam responderam:


– lh! Afinal, um homem não dá filhos. Este julgamento que chamou a gente aqui, perdeu a razão. Estes cabritinhos ficam da raposa, porque um homem não dá filhos.


 


E o lobo perdeu a partida.


 


 


(In Portal da CPLP)

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