AS AVENTURAS DE BASTIÃO PIRES
CARTA DE BASTIÃO A D. MANUEL I
Uma longa missiva dirigiu Bastião, o Vigário Geral, a D. Manuel I datada em 8 de Janeiro de 1518. Conta que há dez a doze mil cristãos em Cochim. Denuncia Lopo Soares de Albergaria que deixou morrer à fome e à sede 300 cristãos malabares no estreito de Meca, porque não lhes deu comida nem gota de água. Em vez de carregar mantimentos nas naus, encheu-as de mercadorias para os capitães.
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Os míninos cristãos que aqui são ensinados, tinham mantimentos assentados por Afonso de Albuquerque. Lopo Soares tirou-lhos. Nunca mais nenhum quis aprender.
E quase no fim desta carta lamuriante, diz a el-Rei: Mande Vossa Alteza homens que sejam de 30 anos para cima, que seja em seus feitos e hajam vergonha.
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Em 14 de Janeiro de 1519, a cidade de Cochim concede um louvor a Bastião Pires e transmitiu a D. Manuel; o Ouvidor das suas mágoas, por tudo que se ia passando por Cochim e Índia.
O Rei Venturoso já não pertencia ao número dos vivos. As notícias de Portugal à Índia demoravam quase um ano. As queixas visavam Lopo Soares de Albergaria, Vice-Rei da Índia, após a morte de Albuquerque, seu inimigo pessoal.
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Bastião sempre fora bem acolhido e protegido por Albuquerque, enquanto Lopo Soares não nutria nenhuma simpatia pelo Vigário Geral.
A respeito de Albergaria, informava: No ano que foy Lopo Soares pera Portugall eu foy com hele, como Vossa Alteza no dyto ano me enviou a resposta de huma carta que vós por mym foy enviada no ano de quynhentos e desoyto. As cousas que Vossa Alteza manda qua que se cumpram, que som servyço de Deus e noso, poucas as esmolas, que Vosa Alteza manda dar aos pobres, a symquo anos que se nom deu e muytos precem a fome// e, vemdo a nosa pouca carydade areceam muytos de se tornar crystãos...
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A carta de Bastião Pires é composta de várias páginas. O Vigário Geral defende a propagação da religião em Cochim. E, também os interesses da Coroa portuguesa. Sabe converter gente ao cristianismo e dá-lhe esmolas. Assim, Portugal voltará mais forte na Índia. D. Manuel considera-o, mandou-o ir a Portugal dar-lhe conta como era que tudo por ali se passava. Albuquerque não ignora a acção evangelizadora do Vigário e apoia-o. D. Manuel e Albuquerque finaram-se e Bastão Pires fica só no mundo, não tem apoios e não escapa ao ajuste de contas.
José Gomes Martins
(Bangkok)
http://portugalnatailandia.blogspot.com/2010/06/coisas-da-india-os-pecados-de-bastiao.html