É Outono outra vez!
As folhas mortas cobrem o chão
e um vento, agreste
vem falar despedidas.
Hoje, vieram dizer-me
que tinhas partido...
será que voaste?!
É Outono, outra vez!
E ainda há pouco
tu me falavas em Primavera...
sei que o Sol está mais fraco
e as andorinhas
já deixaram os nossos beirais;
talvez nalguma delas
achasses transporte
ou, quem sabe, andes por aí
feito menino
a brincar com a bola de trapos
ou a jogar ao pião
ou ao arco
na margem do rio
este que amamos
e te viu nascer...
é, decerto voaste!...
E eu tinha tanta, tanta coisa
para te dizer!...
Porém, as palavras, agora
deixaram de ser precisas;
o pensamento basta!
E também sei
que mais logo
quando a noite cair
neste nosso ilusório firmamento
há-de brilhar mais uma estrela!
Por intenção do meu amigo Luís Vaz a quem acompanhei hoje ao Cemitério do Alto de S. João
Henrique Salles da Fonseca
