A bem da Nação

CAMINHOS

 


 


Hoje eu vou cantar os caminhos velhos
De passos antigos
Doutros tempos
Caminhos
Entre muros pardacentos
Com passos perdidos na memória
Caminhos
Com e sem história


Nos vales, nas montanhas, nas ravinas
Caminhos
Feitos caminhando
Por gente
Que partindo ou chegando
Os forma, os transforma
Os ostraciza
Caminhos
De que a gente precisa
Ou esquece
Na maior simplicidade;
Caminhos
Vielas na cidade
De medo, de fado, de ganância
Esconsos caminhos
De abundância
Nas avenidas da iniquidade...
Vielas
Ruas paralelas
Às praças do poder e do dinheiro;
Caminhos
Do ócio sorrateiro
Tortuosos, deprimentes
Das palavras ditas por entre dentes
De navalhas sibilinas
Do pó da perdição
Adulto calvário de meninos e meninas
Caminhos
Da destruição...
Hoje canto ainda
Os caminhos
Dum novo Apocalipse
De tempestades de trovões
Espadas de fogo
De mágoa
Do início e fim de gerações;
Águas invadindo o caminho estreito
Mares de água
No Rio que transborda do seu leito...
Caminhos de purga
O Calvário
Com quedas, Cireneu, Cruz e Sudário
Lanças, torturas e esponjas de fel;
Hoje
Só caminhos vou cantar
Peregrinos caminhos
Na procura da Paz
O Graal dos Sábios
Caminhos
De nome derradeiro
Nos meus lábios
No tempo de partir
Para chegar!...

 Maria Mamede

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