A bem da Nação

“CAI NEVE NA NATUREZA”

 


 


Sempre estranhei a pena de morte como lei facinorosa de que o homem se arreigou como deus poderoso, sobretudo se praticada em países de grande tradição humanista e razoavelmente seguidora das práticas bíblicas inspiradas no Novo Testamento e já contidas no Velho, nos Mandamentos que Deus entregou a Moisés, em que o “Não Matarás” ocupa o 5º lugar (na sua feição final), a vida humana considerada no seu caráter de inviolabilidade, como algo sagrado, devido a um único criador, omnipotente, omnisciente, omnipresente.


 


É bem verdade que nunca esse facto incomodou grande coisa a criatura por Ele criada, pois sempre essa se entreteve a matar e a esfolar, a queimar, a crucificar, a fuzilar, a guilhotinar, a esfaquear…… E a instituir em lei a pena de morte. Entre nós também a houve, mas a nossa foi abolida no século XIX, o que não aconteceu noutros países mais poderosos, e os Estados Unidos não foram unânimes na sua abolição, por muito liberais que se mostrem, com uma bela estátua a demonstrá-lo.


 


Significa isso que também o homem se arma em omnipotente, emparelhando com o Deus que tudo criou, o Bem como o Mal.


 


Realmente, o homem cria vida, por meios artificiais, como um deus defeituoso, criando seres defeituosos, não naturais. Também descobre o remédio que cura e nisso é extremamente capaz, cada vez indo mais longe na descoberta científica.


 


E criou a sinistra eutanásia para extinguir o sofrimento, com a anuência do sofredor, embora poucos países sigam a prática criminosa.


 


Mas as crianças, Senhor?


Porque lhes dais tanta dor?


Porque padecem assim?


 


O facto é que padecem e isso choca muito, as crianças inocentes não devem sofrer. Talvez por isso alguns povos se arroguem do direito de praticar nelas a eutanásia, mesmo sem a sua anuência. É pôr os pais a assistir à morte e a consenti-la e a beijar o filho pequeno, que vai morrendo e deixando de sofrer. Mas os pais irão sentir-se para sempre criminosos. Filicidas. Prefeririam não intervir na morte do filho, e apenas minimizar-lhe o sofrimento. Mas há países civilizados que instituíram a eutanásia para adultos em lei e agora para crianças.


 


A eutanásia em crianças parece-me crime. O texto de António da Cunha Duarte Justo é bem explícito nisso, com os argumentos próprios. Eu só posso concluir com a “neve” que cai nos corações – da balada de Augusto Gil.


 


 Berta Brás

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