Uma borla
v O Senhor Governador, com ar pesaroso, afirmou aos Senhores Deputados, estes com ar basbaque, que vá-se lá saber da existência de umas quantas (uns poucos milhões, apenas) acções do BCP parqueadas numas tantas sociedades offshore, se ninguém comunica nem ninguém denuncia (subtil diferença...)
v Escapou ao Senhor Governador mandar consultar as listas de presenças das Assembleias Gerais do dito Banco e ver o que de lá saía.
v Ah! E quem nos garante que esses tais accionistas se deram ao incómodo de estar presente, ou de se fazer representar, em tão magnos conclaves – onde, parece, se passava o tempo em cumprimentos, Laus Deos e frioleiras? Bem pensado...
v Talvez não lhe tenha ocorrido que as acções do maior Banco privado português, com uma presença algo desproporcionada no sistema bancário que compete ao BdP supervisionar (o Sistema Europeu de Bancos Centrais pouco mais lhe pede), estão desmaterializadas e têm entidades de custódia com tabuleta e número de polícia. Que tal seguir essa pista de resultados, estou em crer, mais que seguros?
v Por estas dicas, Senhor Governador, não cobro nada. Mas não me venha dizer daqui a dias, com ar tão ou mais pesaroso, que o dinheiro dos contribuintes teve de ser chamado para safar o celebrado Banco, para dar um happy end ao case study – e para liquidar na raiz uma crise bancária que se avolumava.
Lisboa, Janeiro de 2008
A. PALHINHA MACHADO
NOTA - Peço ao Autor e aos Leitores que me desculpem o lapso pelo esquecimento de publicação deste texto, o que só se pode dever ao jet-lag de que padeci no regresso do Oriente. Mais vale fora de ordem do que não publicado.
Henrique Salles da Fonseca