A bem da Nação

BOUQUINER (2)

 


 


1 – Se BOUQUINER (1) era andar em águas límpidas e transparentes, o BOUQUINER (2) é já um “quase” mergulho em águas mais turvas e quanto a transparência, só aquela que cada um pode encontrar. Quando pensei escrever mais umas “linhas” no seguimento de outras, a rádio (telefonia) traz-me a boa notícia. Há acordo para a Grécia. Razão tinha o Presidente Cavaco Silva, quando dizia, que na 25ª hora tudo se havia de compor. Ainda bem. Isto para quem (como eu) acredita que é melhor a UE (com todos os defeitos) a regressarmos a um passado de egoísmos que nos levou a duas guerras civis no século XX e poderia levar-nos a uma terceira, embora noutros moldes. Mas, pelo sim, pelo não, embora entusiasta de Povos dentro do Povo Europeu, sempre de mão “avisada” com o UK e EUA. Somos mais potência atlântica, do que potência continental. O castelhano assim o ditou. E continuarei sempre a dizer, que Portugal é um porta-aviões atracado à Europa. E o Grande Irmão (EUA) tem de saber, sempre, que pode contar connosco, mesmo que o preço a pagar (por eles e por nós) seja elevado.


 


2 – E, sinceramente, espero que a Alemanha perceba, de uma vez por todas que, quem quer liderar, ou pode liderar tem sempre um preço a pagar. E às vezes bem elevado. É só olhar para os gastos que os EUA gastam no sector da defesa, e na ajuda internacional que vão proporcionando a um elevado grupo de países. Dir-me-ão: são os interesses que estão subjacentes. Concordo. Mas os interesses, por vezes, têm uma factura bem elevada. E a Alemanha sabe que a sua dinâmica económica também se deve ao gastar muito pouco no sector da defesa, o que lhe proporcionou desviar grandes quantias para a reunificação e para uma economia mais pujante. Agora se os alemães (certos alemães) ao quererem liderar fazem afirmações concretas, em vez de as fazerem discretas, aí, quer queiram quer não queiram, entornam o caldo, e depois dele entornado, para limpar a sujidade é bem mais difícil, porque os velhos “demónios” foram de novo ressuscitados. A invasão alemã e os desmandos alemães na Grécia e no “velho” CONTINENTE foram factos, e contra factos (ou fatos?) não há argumentos. E se muitos se esquecem, outros bem se recordam.        


 


3 – E a França percebeu de imediato o que estava em jogo. A Alemanha (mesmo o SPD, da Grande Coligação) teve, e tem, grandes dificuldades para o entender. E a Alemanha tem de pensar só isto: é grande no contexto Europeu, mas pequena no contexto Mundial. Mesmo comparando-a até com Portugal. A França, não é só a França, é também a Comunidade Francófona. A Inglaterra, não é só a Inglaterra, é também a Commonwealth. E Portugal? Até Portugal não é só Portugal, é também (apesar dos detractores) a CPLP e os PALOP. A França, a Inglaterra e Portugal, para não falar da Holanda e da Bélgica, são mais do que o seu Espaço Europeu. Vivemos para além da Europa. Vivemos para lá do nosso horizonte. A Alemanha, não. A Alemanha, se quer ser a Alemanha, tem de ser também a Europa, e se for Europa, então tem voz para além do Continente Europeu. E tem de pagar o preço dessa ousadia. Caso contrário pode numa primeira fase pensar que é vencedora como em 14 e 39, mas depois teve Versalhes e a “foice e o martelo” no edifício do Reichstag. E a Alemanha não merece esse padecimento, provocado por alguns “alemães”, que nada descortinam para além da sua portada. E, se assim for, paciência. Mas que é pena, disso não tenho dúvidas.


 


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4 – Porque também em 1972, outro País, teve os generais que contavam na altura, e comandantes dos seus Exércitos para além da sua Fronteira Europeia, para meditarem sobre quem devia suceder ao almirante Américo Tomás nas presidenciais de 72, e como não se entenderam, o velho Almirante aceitou continuar. E como foi triste ver que o egoísmo e calculismo de alguns, se sobrepôs ao interesse de todos. E o resultado foi o que depois se viu. Um dos generais, o que praticamente caucionou Abril 74, nem sequer o lugar aqueceu e em democracia só lhe restou a fuga para o estrangeiro. Outro, esteve detido e recusou fugir. O outro lá foi Presidente até 76, mas presidiu a um País que no espaço de um ano perdeu 95% do território que tinha, o que era previsível, mas sem honra nem proveito. E, lembro estes factos, para equacionar que os egoísmos levam a que se perca muito mais do que se ganha. E quando se lia a correspondência (por dever de ofício) que acompanhava os desabafos de quem mandava na altura, começava a ver que algo de errado estava para acontecer. E aconteceu. Não, não me venham dizer que tudo correu como devia correr. O que ainda nos valeu foi o Grupo dos 9 e a sua acção em Novembro de 75 (faz este ano 40 anos), e quer se queira, quer não se queira, com possível governo no norte e com grave confronto, num país dividido em Rio Maior. Mas lá nos safámos. Penso que o “espírito” de Helsínquia prevaleceu no senhor Brejnev que mandou regressar à calma os seus discípulos portugueses. Afinal, Angola e Moçambique já estavam ganhos. Por agora bastava. E quem não acautela o presente olhando para o passado, sofre as consequências. E quem diz 72 diz 2015. Tínhamos, penso eu, o pássaro na mão, difícil de ser atacado pela esquerda, ou pela direita, e deixámo-lo fugir para junto do senhor Juncker. E agora vamos levar, penso eu também, com quem não se queria. Mas os egoísmos e calculismos de uns tantos vão tramar outra vez os muitos que somos. Mas é a vida.


 


5 – Dir-me-ão: então onde estão as águas turvas? Pois. Também me esqueci de escrever, de imediato, que a GRÉCIA, me iria obrigar a um BOUQUINER (3). Complicações, de quem, lendo, ou ouvindo, aqui e o acolá, tem de enfrentar. Mas outro BOUQUINER chegará breve. Prometo aos poucos que me lêem, e têm paciência para me aturarem e … publicarem. Só mesmo por bondade. Que agradeço.


 


Ao Henrique, com forte Abraço.              


 


José Augusto FonsecaJosé Augusto Fonseca

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