Numa sociedade que supervaloriza a juventude e a beleza tornou-se obsessão cuidar do físico. Para isso, usa-se todos os recursos tecnológicos e procedimentos estéticos possíveis, a ponto de se esquecer o equilíbrio e o bom censo, colocando muitas vezes a saúde em perigo.
As correcções cirúrgicas para tratar problemas de ordem estética, genéticos ou adquiridos, para recuperar a função ou a auto-estima, são aceitáveis e até aconselháveis. Mas os exageros como dietas rigorosas, plásticas e exercícios excessivos, aplicações de substâncias ou drogas, que deformam o corpo na busca do físico perfeito, quando se tornam o objectivo de vida são uma doença que leva à dismorfia (hipertrofia ou distensão anómala dos músculos, dando alterações corporais ou aparência facial repuxada, inexpressiva).
Na ditadura da estética do século XXI, engordar uns quilinhos a mais e ter cabelos grisalhos são sinais de desleixo e não de um natural caminho para a velhice. É a distorção de valores de uma sociedade fútil que acha que a aparência é tudo, que esquece que o ideal é saber envelhecer, com ou sem lifting, mas sempre com qualidade de vida. Afinal o tempo deixa marcas que falam dos anos vividos, da nossa história individual.
Uberaba. 02/07/08