A bem da Nação

AS NOSSAS SÃO SEM TURBANTE

 


 


Encimado por um belo quadro de “Cassandra” por Evelyn De Morgan, o texto de Henrique Salles da Fonseca: «AS CASSANDRAS QUE POR AÍ PULULAM»


 


E o meu comentário, como sempre admirando a desenvoltura intelectual e moral do autor do texto, que, naturalmente, está do outro lado da paliçada, Deus o abençoe por isso:


 


Por conta dessa manipulação, para pré-aviso aos manipuláveis, estão também as sondagens de opinião, sobretudo em alturas de aparente sucesso governativo para mostrar a inanidade desse sucesso cá e assustar os governantes. Ou programas humorísticos como "O governo sombra", com um Pedro Mexia que já pareceu mais responsável quando saiu do “Eixo do Mal”, aparentemente por não acompanhar a pedalada verrinosa dos companheiros especuladores. Há, de facto, muitos que usam os cálculos ou a ironia para assustar os tímidos, ou os que acompanham facilmente os calculistas, sem parar para medir os prós e os contras, mais adeptos da anarquia que a democracia favorece.


 


Não valemos mais do que os africanos, aquando das descolonizações, facilmente impregnados das ilusões transmitidas pelos muitos candidatos a construtores dos seus novos países emancipados. Entre esses, uma tal Joana Simeão, que surgiu airosa e bela a dizer das suas razões sobre o colonizador português, e a quem fiz uns "versos" a condizer, num livro saído então em Lourenço Marques – "Pedras de Sal":


 Joana_Simeao2



 


 


 


 


 


 


 


 


 


"Assim é Joana..."


 


Itinerante. Revolucionária. Espaventosa e de gracioso turbante.


Cem por cento militante


- Ela o diz, a gente o crê, pelo que ouve e o que vê –


Vai em frente, sempre avante,


Cheia de força e de fé,


No ardor da sua palavra


Convincente e operante.


Gira que gira, torna que torna,


Põe, depõe, repõe, compõe,


Sempre com garra, sempre com alma.


Assim é Joana,


Itinerante e de gracioso turbante.


Espírito gritante, diz verdades convincentes,


Que andam na boca das gentes.


Insulta e recebe insultos,


Não se rala e vai avante


Devolvendo, veemente,


Olho por olho, dente por dente.


Assim é Joana.


Graciosa, em turbilhão,


Saltando ágil na ampla arena


Do terreno cobiçado


- Moçambique, sua terra –


Onde julga vir a ter


Papel preponderante.


Mas sempre na augusta cabeça


Um majestoso turbante.


 


São as nossas Cassandras. Quais Joanas, mesmo sem turbante.


 


 Berta Brás

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