A bem da Nação

AS HOLANDICES DO FRANÇAIS...

... E O CHILIQUE DA ROTTWEILER





 

Teatro: Comédie Française

 

Elenco: Holande 60, Segolene 58 (há dois anos), Valerie 49, Julie 41

 

1° Acto

 

No país de Napoleon e Alexandre Dumas – e de outras – todos os presidentes da 5ème republique, parece que com excepção de Pompidou, tiveram, mais ou menos disfarçadas, as suas “outras”, limitando o papel da esposa de papel passado ao lugar das aparições oficiais, recepções e outras incomodações, enquanto fora do oficial, em encontros certamente bem mais glamorosos, os presidentes foram-se aconchegando nos braços, sempre mais jovens, de outras. Muitas outras.

 

Nada de novo. Louis XIV, além das conhecidas e passadas à história, as Madames de La Valière, de Montespan e de Maintenon, regalou-se em diversos e remexidos outros lençois. Antes dele, por exemplo François 1er, que, casando com Cláudia de França, quando esta tinha quinze aninhos, fez-lhe oito filhos até que ela morreu ainda na flor dos seus 24. Mas o bom François, que dantes se escrevia Français, foi, pelo caminho, traçando uma porção de outras: deixou um bastardo de uma grande dame inconue (os caras não se serviam, a não ser quando calhasse, das pequenas damas!), e ainda encontrou carinhos e outras afeições com a Françoise (Française) de Foix, Anne de Pisseleu e a mulher do advogado Jean Féron conhecida como a  "Belle Féronnière".

 

De Gaulle, Giscard d’Estaing, Mitterrand, Chirac, Sarkozy todos foram excelentes saltadores de cerca, copiando o bonito voo das jolies papillons num campo de flores que ora se pousam nesta ora se pousam na outra.

 

Consta na história que o primeiro rei de Portugal, o valente Afonso Henriques, terá deixado dezoito filhos bastardos, e o nosso tropical Pedro I-barra-IV, além dos nove das duas esposas oficiais, deixou só: da madama Domitília, cinco filhos, da Maria Benedita, irmã daquela, que o acarinhava nas ausências e presenças da sobredita, mais um, da francesa Noémi, dois, com a uruguaia Maria del Carmen, dois, de outra francesa, a Clémence, outro, com a monja portuguesa Ana Toste mais um rapaz (a freira fazia questão de ensinar o imperador a rezar SEMPRE antes de se deitar!) e duma Maria Libânia mais outro Pedro, o que soma o bonito número de treze bastardos... conhecidos, e de origens variadas que o imperador não gostava de comer o mesmo todos os dias.

 

E, porque hão-de agora embirrar com o Français Holande, que faz sessenta anos, por ter trocado a Ségolene, na altura com cinqoenta e oito, por uma com menos quilometragem mas dois divórcios, a Valérie de quarenta e nove, a quem os franceses apelidam de Rottweiler (pela sua simpatia?), e fazem um escândalo por ele estar a renovar a frota por outra quase na garantia, com quarenta e um?

 

Presidente da França tem que honrar os governantes passados, e incentivar o turismo dos espetáculos com belas presenças femininas, como o Folies Bergères, o Moulin Rouge, Lido, Crazy Horse, etc., e não se deixar cair na apatia monástica da castidade.

 

Agora, o senhor presidente da França, sair do Elisée de fininho, na garupa duma moto, com um capacete de moleque, para ir dar uma na Julie... é que não lembra ao careca, só mesmo ao careca do Français!

 

Mas se fosse só isso, o Français regressaria de manhã, cedo, ao trabalho contente descontraído e a Juliezinha voltaria às suas peças teatrais toda consolada e quase, quase, promovida a primeira dama!

 

Mas a Valérie não gostou. Nada. Primeira dama até à data inconteste, representando oficialmente  os valores femininos da Republique – Liberté, Fraternité, Egalité – teve um piripaco, conhecido como chilique, foi hospitalizada, com o trauma de perder a boquinha de premier.



Para as bonitonas !


 

Mas vociferou já de dentro do socego hospitalar: “Ela – a Julie – que não pense que me vai tirar o lugar. Não vou deixar de ser a prima e dona, de jeito maneira!”

 

Então a madama Rottweiler vai perder o pário para uma artista??? Ainda por cima com quatro conselheiros do governo que lhe estão consignados e pagos pelos contribuintes, enquanto a “jovem” Julie só pode brigar com as suas armas naturais, que normalmente têm valor acrescentado: a carinha mais bonita, um corpo mais jovem e um savoir faire de artista de teatro.

 

A doentinha esqueceu-se ... da Egalité!

 

Homens: aqui para nós, que ninguém nos ouve... com quem você ficaria???? E as mulheres: na Rottweiler ou na bonitinha?

 

 

Fim do 1° Acto.


Não percam a continuação desta Camédie Française nos próximos capítulos de todos os orgãos de informação.


 

14/01/2014



 Francisco Gomes de Amorim

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