
(1867 - 1957)
Bem Zander, maestro e professor de música, conta no seu livro "The Art of Possibility", que Arturo Toscanini era um autêntico ditador tirânico à frente das orquestras que regeu. Tinha saído de Itália, fugido a Mussolini, mas não porque fosse democrata. Antes pelo contrário, saiu porque para ditador bastava-se a si próprio. Um belo dia em que ensaiava com a Filarmónica de Nova York, Toscanini irritou-se com um dos contra-baixos que não acertava com a entrada. Ao cabo de algumas tentativas frustradas, suspendeu o ensaio e ali mesmo, diante de toda a orquestra, despediu o contra-baixo e ordenou-lhe que se ausentasse imediatamente da sala. O infeliz músico arrumou instrumento e partituras e, ferido no seu orgulho, virou-se para Toscanini e dirigiu-lhe um chorrilho de insultos pessoais e extensivos à mãe do maestro. Toscanini ouviu imperturbável e, quando o recalcitrante finalmente se calou, disse-lhe: "As suas desculpas chegam demasiado tarde. Saia". Puxou da batuta, deu as pancadinhas da praxe e retomou o ensaio.
Estoril, Maio de 2007
Luís Soares de Oliveira